Dia dos Avós: movimento diário ajuda a preservar memória, autonomia e prevenir quedas na terceira idade

Neste domingo (26), quando é celebrado o Dia dos Avós, especialistas reforçam que pequenos hábitos do dia a dia podem fazer uma grande diferença para a saúde e a qualidade de vida na terceira idade. Atividades como caminhar até a padaria, cuidar do jardim, subir escadas ou brincar com os netos ajudam a manter o corpo ativo, estimulam o cérebro e reduzem o risco de quedas, uma das principais causas de internação e perda de autonomia entre idosos.

A orientação ganha ainda mais importância diante do envelhecimento da população brasileira. Dados do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Brasil tem 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, o equivalente a 10,9% da população, maior percentual registrado desde 1980. A expectativa de vida no país é de 77 anos.

Segundo o médico da Família e Comunidade e professor da Faculdade São Leopoldo Mandic, Giuliano Dimarzio, manter-se em movimento vai muito além do condicionamento físico.

“O cérebro continua sendo capaz de criar novas conexões ao longo da vida, um processo chamado neuroplasticidade. A atividade física é um dos principais estímulos para esse mecanismo, porque desafia o corpo e a mente ao mesmo tempo. Cada caminhada, exercício de equilíbrio ou atividade cotidiana ajuda a preservar funções cognitivas, melhora a coordenação motora e contribui para que o idoso mantenha sua independência por mais tempo”, explica.

Quedas podem ser evitadas

A prevenção de quedas é um dos principais desafios para o envelhecimento saudável. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), publicado na revista European Geriatric Medicine, estima que cerca de 3,5 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estejam em alto risco de sofrer quedas.

A pesquisa, baseada em dados de mais de 7,5 mil participantes do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), mostrou que perguntas simples, como se o idoso sente medo de cair ou percebe instabilidade ao caminhar, ajudam a identificar pessoas em risco com muito mais eficiência do que considerar apenas o histórico de quedas.

Os números reforçam a preocupação. Segundo o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), um em cada quatro idosos sofre pelo menos uma queda por ano no Brasil. Entre pessoas com mais de 80 anos, esse índice chega a 40%.

A fratura de fêmur, uma das consequências mais graves desses acidentes, apresenta taxa de mortalidade de cerca de 30% no primeiro ano após a lesão.

Exercícios de equilíbrio fazem diferença

Embora caminhadas e outras atividades cotidianas tragam benefícios para a saúde e para o funcionamento do cérebro, especialistas alertam que elas devem ser complementadas por exercícios específicos para equilíbrio e fortalecimento muscular.

Uma revisão da Cochrane, organização internacional dedicada à avaliação de evidências científicas, concluiu que programas de exercícios multicomponentes, que combinam treinamento funcional e de equilíbrio, são os mais eficazes para reduzir tanto o número quanto o risco de quedas entre idosos que vivem na comunidade.

Segundo Giuliano Dimarzio, caminhar continua sendo uma excelente prática para a saúde geral, mas, isoladamente, não oferece a mesma proteção contra quedas para idosos mais frágeis.

Atenção aos medicamentos

Outro ponto importante destacado pelos especialistas é a revisão periódica dos medicamentos utilizados pelos idosos.

De acordo com Dimarzio, o uso simultâneo de muitos remédios — situação conhecida como polifarmácia — pode aumentar o risco de quedas, especialmente quando envolve sedativos, psicotrópicos e alguns anti-hipertensivos.

“Na prática clínica, sabemos que há necessidade constante de revisar as medicações para prevenir quedas. Os remédios têm indicações, contraindicações e momentos em que devem ser prescritos e também retirados. A desprescrição, especialmente de psicotrópicos, sedativos e ajustes de anti-hipertensivos, é uma das intervenções clínicas com maior nível de evidência para manter o idoso seguro”, afirma.

Para os especialistas, a celebração do Dia dos Avós também serve como um convite para incentivar hábitos saudáveis dentro da família. Estimular os idosos a permanecerem ativos, praticarem exercícios orientados e manterem acompanhamento médico regular pode contribuir para uma vida mais longa, independente e com melhor qualidade.

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