A cineasta capixaba Bárbara Marques, conhecida pelos curtas Dia de Cosme e Damião (2016) e Cartaxo (2020), foi detida pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) durante uma audiência em Los Angeles para obtenção do green card. O caso foi relatado nas redes sociais pelo marido dela, o montador e ator norte-americano Tucker May.
Nascida em Vitória (ES), Bárbara Marques é formada em Cinema pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, e vive nos Estados Unidos desde 2018.
Prisão durante audiência
Segundo Tucker, a prisão aconteceu de forma inesperada durante a reunião agendada no Edifício Federal, no centro de Los Angeles. Ele afirmou que, após o encontro ser considerado “bem-sucedido”, um policial usou a desculpa de uma copiadora quebrada para separar Bárbara de seu advogado e, em seguida, detê-la.
O motivo alegado foi a ausência da cineasta em uma audiência judicial em 2019, da qual, segundo o marido, ela nunca foi notificada.
“Temo pela vida dela”, escreveu Tucker. Ele também relatou que a brasileira foi inicialmente levada ao centro de detenção de Adelanto, na Califórnia, onde enfrentou dificuldades para se comunicar com advogados.
Transferência e denúncias de maus-tratos
Ainda de acordo com o relato, Bárbara foi transferida para uma unidade de detenção na Louisiana, após quase três dias de viagem algemada, com longos períodos sem alimentação ou descanso.
“Ela não recebeu uma cama nesta unidade. Enquanto escrevo isto, ela tenta dormir no chão. Está tendo tratamento negado para um problema nas costas, apesar de haver registro médico sobre a necessidade de cuidados”, disse Tucker.
O marido também afirmou que Bárbara não possui antecedentes criminais e denunciou o tratamento como “desumano”.
O caso acontece em meio a críticas de organizações de direitos humanos à condução dos processos migratórios nos Estados Unidos. O ICE é acusado de excessos e falhas no respeito ao devido processo legal, especialmente em situações envolvendo imigrantes em busca de regularização.
Família no Brasil está apreensiva
Em nota, a família de Bárbara no Espírito Santo afirmou que aguarda a tramitação judicial e reforçou que todos os documentos necessários para a emissão do green card foram apresentados.
“Agradecemos e estamos sensibilizados com as manifestações de solidariedade e a disponibilidade em colaborar. No momento, carecemos de informações oficiais e atualizadas sobre o processo judicial em curso. O advogado que atua na causa interpôs um recurso para defesa dos direitos da Bárbara ,uma vez que ela seguiu todos os trâmites legais e apresentou aos órgãos competentes todos os documentos necessários para emissão do Green Card. Sendo assim, aguardamos ,com muita confiança na justiça, uma decisão judicial. Tão longo tenhamos acesso ao teor da decisão informaremos a todos os próximos passos do processos. Gratidão a todos!”, diz o comunicado.
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Comissão de Direitos Humanos pede ajuda ao Itamaraty
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) enviou um ofício ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, pedindo providências urgentes no caso da cineasta capixaba Bárbara Marques, detida desde 16 de setembro pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE).
O documento, enviado na última terça-feira, solicita que o Itamaraty atue junto às autoridades norte-americanas para assegurar que Bárbara tenha acesso à defesa legal, contato com a família e condições dignas de detenção. O texto também alerta para possíveis violações ao devido processo legal, previsto na Constituição dos Estados Unidos e em tratados internacionais de direitos humanos.
A presidenta da Comissão, deputada estadual Camila Valadão (PSOL), destacou que o colegiado acompanha o caso desde a semana passada e que a atuação imediata do Estado brasileiro é essencial. “Assim que recebemos a denúncia, iniciamos o acompanhamento e buscamos informações. Agora, com o ofício encaminhado ao Itamaraty, reforçamos a urgência de garantir os direitos de Bárbara. Ela é uma cidadã brasileira, capixaba, e não pode ficar desamparada nesse processo”, afirmou.
O ofício pede que o Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles acompanhe de perto a situação, além da adoção de providências diplomáticas urgentes junto às autoridades norte-americanas.
Segundo Camila, a Comissão seguirá em contato com a família e cobrando atualizações. “Acionar os canais necessários para que os direitos de uma cidadã brasileira sejam respeitados”, completou.









