“A vida dele é um milagre”, essa é a fala de Débora Barth, a esposa do policial militar que teve alta nesta quinta-feira (18), do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves (HEJSN). Com homenagem, comemoração e muita emoção, Saimen Rodrigues deixou o hospital por volta das 10h15 na companhia de familiares e amigos.
Depois de ter sido atingido com uma bala na cabeça durante uma abordagem enquanto trabalhava, o policial passou por cirurgia, ficou em coma e com sequelas. No entanto, os tratamentos já terão início. Nesta sexta-feira (19), Saimen inicia na fonoaudióloga, uma vez que, além dos movimentos, perdeu a fala.
“A comunicação dele está afetada, isso envolve tanto a fala quanto a escrita. Tudo está na mesma área do cérebro. Ele vai ter que tratar com a fonoaudióloga agora e vamos começar amanhã. Ele não perdeu 100% da fala porque consegue dizer algumas palavras, então, em cima disso, agora vai ser trabalhado”, disse Débora.
A engenheira relatou ainda que, além da fala, o marido também perdeu os movimentos dos braços e pernas, mas aos poucos a força e reflexos estão voltando. “ Em relação à parte motora, agora o principal trabalho é com o braço direito. Quando ele acordou, ele também não mexeu a perna direita e o movimento dela já voltou. Inclusive, ele consegue andar. Agora é só trabalhar o braço que está voltando devagar. Antes ele não tinha movimento nenhum, agora ele já tem reflexo. Um exemplo é quando boceja, ele abre e fecha a mão”, contou a esposa do PM.
Débora disse ainda que Saimen Rodrigues consegue pronunciar algumas palavras e, quando não é possível, a comunicação é por gestos. “Ela ainda não forma frases completas, com muito esforço sai alguma coisa. Ele fala ‘não’, ‘sim’, balança a cabeça, faz gestos. Ele tem expressões faciais, entonação na voz, então a gente se comunica. Quem está presente com ele consegue se comunicar. Ele mostra o que quer e até conseguiu desenhar uma vez o que ele queria. O Saimen é muito forte, ele ri de piada, ele conta piada, se comunica de várias formas até que a fala dele melhore”, explicou.
O tratamento
A esposa do soldado conta que o marido teve os primeiros cuidados no hospital e vai continuar com os tratamentos. Ela ressalta que a corporação está dando o suporte necessário por meio do Hospital da Polícia Militar (HPM) e que o local ainda não conta com um profissional de fonoaudiologia, mas que será feita uma contratação.
“A gente vai seguir esse tratamento através do HPM. Eles vão prestar todo o suporte. A ‘fono’, que vai precisar, eles vão contratar. Lá a equipe tem neurologista, psicólogo, é uma rede boa. Os que eles não tiverem, vamos tentar dar um jeito de buscar na via pública mesmo”, completou.
Débora relata que a família disponibilizou para os amigos uma conta de pagamento instantâneo brasileiro (Pix) para auxiliar no que for necessário para o tratamento do soldado.
“Os colegas dele, todo mundo sempre esteve disponível para qualquer ajuda que a gente precisasse. Aí eu disponibilizei meu PIX, todo mundo foi muito generoso. A gente recebeu uma quantia muito confortável. Até o Estado resolver disponibilizar essa fonoaudióloga pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a gente já vai começar os tratamentos por via particular, independente”, esclareceu.
Homenagem e comemoração de aniversário
O soldado Saimen Rodrigues fez 33 anos enquanto estava internado, dia 11 de maio. Dessa forma, foi um ano sem comemoração. O dia de cantar os parabéns foi esta quinta. Com direito a bolo, torta e balões, as mensagens foram além disso.
“A saída dele do hospital foi algo surreal para mim. O hospital parou, os amigos estavam lá, todos aplaudindo a recuperação dele. Um comboio de viatura nos acompanhou até em casa e lá as homenagens continuaram”, comentou a esposa emocionada.
Planos para o futuro
Débora destaca que ela e o policial estão juntos há 14 anos e há três estão casados. Filhos estão nos planos do casal.
“Sabemos que a recuperação pode ser lenta. Em ralação ao braço estamos confiantes de que ele pode voltar a ter 100% dos movimentos. Já a fala, esperamos um acompanhamento de anos, mas estamos confiantes. Nossos planos precisaram mudar em todas as áreas. Ele tinha planos na polícia e na família. Vamos ter que refazer, reorganizar, mas o sonho do filho ainda existe”, afirmou.
A esposa lembra que Saimen é formado em engenharia, mas em 2021 se formou na polícia por paixão. “Ele fez grandes amizades lá dentro. Adora a profissão. Nunca esperei, nunca imaginava que aconteceria com a gente. De vez em quando via notícias de outros PMs baleados. A gente sempre se solidariza, a gente sempre se comove. Mas nunca esperava que seria na nossa casa. Foi um completo desespero o dia em que eu recebi a notícia. E a gente se agarra nas pequenas notícias boas pra conseguir viver um dia depois do outro. E ter fé! Continuar tendo fé de que tudo ia dar certo. E graças a Deus deu certo. Hoje ele está aqui em casa. Agora é ir devagarzinho e seguir em frente”, finalizou.









