O pesquisador realizou outro cálculo avaliando fatores como as figurinhas raras e as trocas, e que eleva a necessidade de mais de 800 pacotes para preencher a coleção. “Nesse caso temos um problema bastante clássico de probabilidade, chamado o “Colecionador de cupons”, em que todas as figurinhas têm a mesma frequência e trocas são proibidas. Nesse caso seriam necessários tipicamente 872 pacotes para se completar o álbum, ou R$3488″.
Como as trocas fazem parte deste momento, até grupos de redes sociais, locais para encontro de colecionadores e sites na internet existem. A “brincadeira séria”, movimenta todas as idades. “Achei que já não era mais para mim, mas não abri mão de fazer com meu filho. Mas ele só tem 3 anos, pouco entende. Virou a minha desculpa para fazer algo que adoro”, diverte-se o economista Claudio Pires.
Segundo ele, não só em sua casa, mas na de outros amigos a coleção está acontecendo e outros pais já falam disso em todas as rodas de conversa. E, ainda, se encontro nos bares e bancas de revistas. “Falei no grupo do Whatsapp ‘alguém tem figurinha para trocar’, acabou que fizemos outro grupo só para isso, e nos fins de semana já temos compromisso numa banca aqui perto. Aliás, como estão acabando as unidades muito rapidamente no jornaleiro, se a gente não trocasse ia ficar ainda mais difícil”, contou o economista.
“Essa troca ficou bem mais fácil agora com a existência de grupos dedicados a isso na internet. Mas certamente o que mais dificulta e encarece a tarefa de se completar um álbum desses é a existência de figurinhas extremamente raras, como a do Neymar, que já está sendo comercializada por valores altíssimos”, avaliou o matemático Augusto Teixeira.
Alta nos preços para além da inflação
Um investimento inacessível a todos
O economista, Mário Vasconcelos, aponta que apesar de existir uma grande valorização dos álbuns de copas anteriores entre os colecionadores, esse investimento não compensa para qualquer pessoa.
“Para quem gosta de colecionar há o costume de não ver preço, assim como o compromisso em conclui-lo. É o mesmo que acontece com colecionadores de moedas, antiguidades e outros produtos. Agora para quem possui um orçamento apertado em que investir para ter um álbum desses implique na geração de uma dívida, recomendo não fazê-lo, pois há o risco de não conseguir concluí-lo, assim como a criação de uma bola de neve”.
Formas de fazer o álbum pesar menos no bolso
De acordo com Barboza, o álbum da Copa é uma boa forma do colecionador desenvolver algumas habilidades da Educação Financeira. “O planejamento financeiro é o primeiro passo, com a definição de quanto do orçamento, mensal ou semanal, pode ser destinado para a compra das figurinhas. E claro, as trocas das figurinhas repetidas é fundamental para quem quer gastar menos”.
Segundo o especialista, há formas de driblar a inflação. “Para acompanhar o aumento dos preços a cada edição e conseguir completar o álbum sem ter, cada vez mais, mais exigência do seu poder de compra, é muito interessante buscar investimentos que pelo menos acompanhem a inflação. Alguns investimentos da Renda Fixa, como o Tesouro Direto, CDB’s, LCI’s, LCA’s e debêntures possuem rendimentos IPCA+, ou seja, eles remuneram a inflação do período mais uma taxa prefixada. Existem também alguns fundos de renda fixa que usam índices de inflação como benchmarking”.
O CEO recomenda buscadores de renda fixa, como o Yubb e o App Renda Fixa auxilio na hora de filtrar quais são os investimentos e onde eles estão. “As corretoras de investimento costumam ser ótimos locais para encontrar essa grande diversidade de ativos Para economizar na hora da compra, usar fintechs que ofereçam cashback também é algo bem interessante, pois devolverá ao colecionador uma parte do valor da compra. E depois de completar o álbum, caso sobrem figurinhas repetidas, tentar vendê-las pode ser uma forma de recuperar parte do gasto. Lembre-se que as figurinhas funcionam de mãos dadas com a relação Oferta e Demanda. Figurinhas mais raras, como as brilhantes, acabam valendo mais”.
Além, é claro, da venda futura dos álbuns completos, que como explica Victor, podem chegar a valores surpreendentes em leilões na internet. “Conforme os anos se passam, eles se tornam relíquias e podem gerar uma graninha”.









