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13 de junho de 2024
quinta-feira, 13 de junho de 2024

Cristãos e as eleições #6: a política, o messias e o povo

A política, o messias e o povo, por Vinícios Maia*

Cristãos e as eleições #6: a política, o messias e o povoJá não é de hoje que a política brasileira desce ladeira a baixo em relação à sua confiabilidade. É fato que poucos hoje acreditam que possa haver uma política saudável no país. Talvez alguns ainda consigam se perguntar qual seria o papel da política na sociedade, ou qual deveria ser o real papel de quem faz a política diante do povo.

Em linhas gerais, a política deveria estar relacionada com aquilo que é referente ao bem público, à vida em comum, às regras, leis e normas de conduta da vida comunitária. Aliás, quando se fala em vida comunitária, logo reportamos às comunidades; e muitos cometem o erro de associar a palavra comunidade exclusivamente às regiões de periferia ou baixa renda das cidades.

Na verdade, comunidade tem em seu sentido a comum unidade, onde pessoas (vidas) partilham de algo, nem sempre tão em comum, sendo que é neste espaço, sobretudo, que a política surge como fator norteador e balizador que afetará todas essas questões. Em suma, a política foi criada para regular os conflitos sociais, amenizar as angústias e promover bem-estar na vida comunitária.

Partindo daí, podemos pensar um pouco mais além. Surge então o termo Políticas Públicas. É preciso pensar que o termo “políticas públicas” representa um conjunto de práticas e de normas que nascem de um ou vários atores públicos, com suas formas de intervenção, regulamentação, provisão, prestação de serviços. Ou seja, política pública é o resultado da atividade de uma autoridade, ou de um conjunto de autoridades, que atuam pela melhoria da vida comunitária e em comunidade.

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É preciso estar atento para não ser iludido pelas “promessas messiânicas eleitorais”

Pensando nisso, podemos e devemos perceber que quem faz a política não é somente o candidato que possui sua foto na urna eletrônica, mas todos aqueles que irão ocupar os espaços que possuem a missão do bem-estar na vida das pessoas. É daí, então, que faço o seguinte questionamento: você sabe quem é o líder comunitário do seu bairro? Você sabe quem são as pessoas que ocupam as secretarias municipais que irão servir à sua comunidade? Você sabe como essas pessoas chegam lá? A política em si não é ruim, pelo contrário, mas o que falta nela são pessoas que estejam compromissadas em, minimamente, compreendê-la e fazê-la chegar ao máximo de pessoas que precisam.

Mas, então, se a política na teoria não é ruim, por que na prática temos a certeza do contrário? O que há de errado que atualmente ela provoca nas pessoas tudo de exatamente o oposto do que deveria?

O messias

É nesta hora que surge o messias. É agora que vai surgir alguém que no meio da angústia do povo que se levanta como salvador de todos os problemas e solução para todos os anseios da vida humana. Como se não bastasse, além de surgir sempre na mesma época e com facetas similares, os messias salvadores possuem sempre os mesmos discursos: de que haverá o novo, a mudança e a prosperidade. Contudo, um questionamento é necessário, sobretudo em época de eleições: o messias traz novidade para quem?

Talvez você já esteja cansado das promessas messiânicas eleitorais; ou talvez você já esteja iludido pelo novo messias que surgiu no seu bairro ou na sua cidade. Ou então, você já deve ter se perguntado como identificar os messias eleitoreiros que só aparecem nas campanhas e depois somem sem nunca mais dar satisfação, nem a você e nem a ninguém. É daí, então, que entra em cena o Povo. Aliás, é VOCÊ que entra em cena!

Sempre quando falando em Messias, lembramos exclusivamente de Cristo. Na época de Jesus, temos um exemplo bem nítido de que o principal compromisso do Verdadeiro e Único Messias era com o povo. O Messias se envolvia com o povo, buscava atender as suas necessidades e anseios e provocava mudança e bem-estar além de amenizar os conflitos existenciais, sociais e pessoais das pessoas, visando o Bem Maior. Mas, em muitos momentos o povo não se envolvia como deveria. Em diversas ocasiões o povo cercava o Messias, mas ficava na periferia, de longe, apenas observando como tudo iria terminar e se, talvez, sobraria algo para ele; ou então, se aproximava do Messias, não para amá-Lo, mas apenas para examinar Sua conduta.

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Vinícios Maia é psicólogo clínico e pós-graduado em Teologia e Cultura

Qual é o papel do povo na política?

Acredito então que é aqui que emana uma das perguntas mais necessárias para este tempo: Qual o papel do povo na política? Na verdade, a política só terá a força que tem se houver envolvimento das pessoas que realmente estão interessadas que ela aconteça de forma plena. Nessa tríade chamada A política, o Messias e o Povo, a parte mais interessada é o povo; ao passo que hoje este povo se tornou a parte mais desacreditada. Aliás, me atrevo a dizer que nesta tríade, quem pode ser o caminho que “salva” não é o messias, mas sim o povo. É o povo quem escolhe; é você quem aperta o botão!

Chegamos num momento das relações que precisamos voltar a se envolver com a política. Talvez, mais do que pensar em o cristão e a política, precisamos ser cristãos na política. Precisamos ser povo na política. Não deixe que escolham por você!

Se você chegou até aqui esperando um versículo ou um estudo bíblico que revelasse a você o real papel de um cristão diante da política, sinto ter que desapontá-lo; é que sempre que tentaram referendar espiritualmente um messias eleitoral. E o resultado não foi bom.

*Vinícios Maia é psicólogo clínico, graduado em Teologia e pós-graduado em Teologia e Cultura

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