Aos sete anos, Manuela Feliz entrou pela primeira vez em uma aula de taekwondo sem imaginar que, quatro décadas depois, chegaria à comissão técnica da Seleção Brasileira de Taekwondo. A capixaba agora se prepara para viajar à Coreia do Sul como técnica da equipe brasileira que disputará o Campeonato Mundial de Poomsae de Taekwondo, em setembro.
Manuela é a primeira mulher capixaba a integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira de Taekwondo. No Mundial, ela fará parte da equipe responsável por acompanhar os atletas brasileiros em Chuncheon, na Coreia do Sul, entre os dias 16 e 20 de setembro.
A competição será realizada no Chuncheon Air Dome e deverá reunir cerca de 1,5 mil atletas da elite da modalidade, representando aproximadamente 79 países.
Para Manuela, a viagem também representa a realização de um desejo que começou ainda na infância. Foi treinando com um mestre coreano que ela iniciou sua trajetória no esporte. Desde então, conhecer a Coreia do Sul, considerada o berço do taekwondo, permaneceu entre seus sonhos.
Quatro décadas depois, ela chegará ao país não apenas como visitante, mas vestindo a camisa do Brasil.
De atleta da Seleção a técnica do Brasil
Antes de assumir a função de técnica, Manuela Feliz conheceu a Seleção Brasileira do outro lado do tatame. Durante quase dez anos, foi atleta da equipe nacional.
A transição da competição para a formação e preparação de atletas abriu um novo capítulo na carreira. O reconhecimento internacional veio antes da convocação para a comissão brasileira: Manuela conquistou na Europa o título de melhor técnica internacional.
No início deste ano, foi chamada para integrar a comissão técnica da Seleção Brasileira.
Na Coreia do Sul, a capixaba estará ao lado dos competidores antes e durante as apresentações. O trabalho envolve preparação técnica e mental e suporte aos atletas para que cheguem ao momento da competição com confiança e segurança.
Para Manuela, conhecer individualmente cada competidor é parte essencial desse processo. A avaliação é de que o treinador precisa respeitar o momento do atleta e prepará-lo para assumir o protagonismo quando entrar em quadra.
A delegação da Confederação Brasileira de Taekwondo contará com 60 atletas. A comissão técnica terá 12 profissionais, sendo oito técnicos, três treinadores e um fisioterapeuta.
Uma trajetória de 40 anos no taekwondo
A convocação para representar o Brasil também carrega o peso de uma trajetória construída durante quatro décadas. Ao longo da carreira, Manuela conta que ouviu que não tinha a altura ou o biotipo considerados ideais para o taekwondo.
As dificuldades provocaram momentos de frustração, mas não interromperam sua permanência no esporte.
“Eu sou a verdadeira história de que dá certo”, resume.
A experiência acumulada no taekwondo também passou a ser levada para fora do ambiente competitivo. Manuela atua em projetos sociais e palestras nos quais trabalha conceitos como disciplina, confiança e força mental.
Entre as iniciativas está o Força Feminina, projeto que oferece aulas de defesa pessoal para mulheres em diferentes bairros da Grande Vitória. Além das técnicas de proteção, o trabalho busca desenvolver confiança e autonomia entre as participantes.
Mundial na Coreia fecha ciclo iniciado na infância
A participação no Mundial terá ainda uma dimensão de aprendizado. Manuela pretende voltar ao Espírito Santo com novas referências de treinamento e conhecimento técnico que possam ser aplicados na formação de atletas e no desenvolvimento do taekwondo capixaba.
A viagem à Coreia do Sul acaba, assim, conectando dois momentos separados por aproximadamente quatro décadas: a menina que começou a praticar a arte marcial aos sete anos e a técnica que agora chega ao país de origem da modalidade representando a Seleção Brasileira.
“Quero retornar trazendo uma mensagem para os meus atletas e para quem acompanha a minha trajetória: sonhos não têm prazo de validade. Eu sou prova disso e, aos quase 50 anos, depois de quatro décadas dedicadas ao taekwondo, finalmente vou conhecer o país que imaginava desde menina, desta vez, com a camisa do Brasil”, afirma Manuela Feliz.










