Cascas de marisco transformadas em insumo agrícola, resíduos de café utilizados no cultivo de plantas e câmeras com inteligência artificial capazes de identificar o descarte irregular de lixo. Essas são algumas das tecnologias que estarão em exposição nesta terça (20) e quarta-feira (21), durante o Recicla Summit 2026, no Auditório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), em Vitória.
Com entrada gratuita, a Vitrine da Reciclagem reunirá projetos desenvolvidos por empresas e pesquisadores capixabas que encontraram maneiras de transformar resíduos em produtos, gerar renda e reduzir impactos ambientais.
Os visitantes poderão conhecer as matérias-primas, acompanhar as etapas de transformação e conferir os produtos finais.
Cascas de marisco viram insumo para a agricultura
Uma das iniciativas apresentadas será o Projeto Sururu, desenvolvido pelo Instituto Goiamum, em Cariacica. O trabalho utiliza cascas de sururu e mexilhões, que normalmente seriam descartadas, para produzir um corretivo agrícola orgânico.
O projeto compra as cascas recolhidas por mulheres marisqueiras cadastradas, garantindo uma fonte complementar de renda. Depois de processado, o material pode ser utilizado para corrigir a acidez do solo e fornecer minerais como cálcio e magnésio.
A iniciativa começou a operar de forma estruturada em outubro de 2025, com a expectativa de processar duas toneladas de cascas por mês. Atualmente, são cerca de dez toneladas mensais, com aproveitamento próximo de 98% da matéria-prima recebida.
O projeto mantém um ponto piloto em Porto Santana, em Cariacica, e conta com pesquisas em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
O produto está sendo testado em culturas como café, milho, gengibre e hortaliças. A comercialização em larga escala ainda depende de registro no Ministério da Agricultura e Pecuária.
Resíduo do café ganha nova utilização
Outra tecnologia apresentada será a da SymBiotech, empresa de Vila Velha que utiliza cascas de café como suporte para microrganismos benéficos às plantas.
O processo envolve a moagem e o peneiramento das cascas, que depois recebem microrganismos capazes de se associar às raízes e melhorar a absorção de nutrientes.
A tecnologia já passou por testes em tomateiros e está sendo avaliada por produtores de mudas em Marechal Floriano, com acompanhamento do desenvolvimento de plantas de café.
Durante a exposição, a empresa fará demonstrações do processo de aplicação do produto nas plantas.
Inteligência artificial identifica descarte irregular de lixo
A tecnologia também será utilizada para mostrar como municípios podem identificar pontos de descarte irregular de resíduos.
Desenvolvido pela startup capixaba Manacá Tecnologias Sociais, o sistema utiliza câmeras e inteligência artificial para detectar quando materiais são abandonados em vias públicas.
A ferramenta está em funcionamento desde maio deste ano em seis pontos críticos do Recife, em Pernambuco.
Segundo dados apresentados pela empresa, em menos de três meses o sistema identificou 308 ocorrências de descarte irregular, totalizando 128 metros cúbicos de resíduos.
O levantamento mostrou que, embora o lixo doméstico seja descartado com maior frequência, os entulhos de obras representam o maior volume de material abandonado.
De acordo com a empresa, a tecnologia permite identificar horários, tipos e quantidades de resíduos descartados, informações que podem auxiliar prefeituras no planejamento da coleta e da fiscalização.
A startup pretende expandir o sistema para municípios do Espírito Santo.
Pneus, óleo de cozinha e tampinhas também serão reaproveitados
A exposição contará ainda com outras iniciativas de reciclagem.
As empresas Pneuvix Ambiental e Threebor apresentarão o processo de reaproveitamento de pneus usados, desde a transformação da borracha em matéria-prima até a fabricação de novos produtos.
Já a Biomarca mostrará como o óleo de cozinha utilizado em residências e estabelecimentos comerciais pode ser tratado e destinado à produção de biodiesel.
Outra atração será a Fantástica Carpintaria, que levará objetos produzidos com plástico reciclado de tampinhas, incluindo luminárias, fruteiras, cestos e porta-trecos.
Evento terá palestras e debates sobre reciclagem
Além da exposição, o Recicla Summit 2026 contará com palestras, debates e encontros entre representantes de empresas, startups, pesquisadores e integrantes do poder público.
Promovido pelo Sindicato das Indústrias de Reciclagem do Espírito Santo (SimReciclo), o evento terá como tema “Cidades que Reciclam, Territórios que Prosperam”.
Entre os participantes confirmados estão Beatriz Luz, especialista em economia circular, e Cristiano Machado Medeiros, chefe da Divisão de Desmanches de Veículos do Detran do Rio Grande do Sul, que apresentará experiências de controle e fiscalização de empresas de desmontagem de veículos.
A programação também contará com a entrega do Prêmio Re-Destaque, voltado ao reconhecimento de iniciativas do setor de reciclagem.
Serviço
Vitrine da Reciclagem – Recicla Summit 2026
– Data: 20 e 21 de outubro, terça e quarta-feira
– Horário: das 8h às 18h
– Local: Auditório da Findes, em Vitória
– Entrada: gratuita
– Inscrições: pela plataforma Sympla










