Uma pesquisa inovadora desenvolvida a partir de insumos encontrados no litoral capixaba colocou a educação pública do Espírito Santo no pódio da ciência global. O estudante capixaba Davi Gisto de Barros, aluno da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Irmã Maria Horta, localizada em Vitória, conquistou a medalha de prata no prestigiado TeenTech Awards 2026, competição internacional de ciência, tecnologia e inovação sediada no Reino Unido.
O estudante representou o Estado e o Brasil com o projeto “Creating Bioplastic from Algae” (Criação de Bioplástico a partir de Algas Marinhas). O trabalho propõe uma alternativa sustentável e de menor custo financeiro para a produção de plástico biodegradável, utilizando como matéria-prima principal a alga marinha do gênero Sargassum.
A pesquisa foi construída por meio de uma cooperação internacional realizada inteiramente de forma remota. Davi integra uma equipe multidisciplinar global formada também pelas estudantes norte-americanas Swasti Timande e Nicole Haragutchi. Nicole é a fundadora da Innovation International, organização voltada a conectar e apoiar jovens talentos de diversos países no desenvolvimento de soluções tecnológicas e científicas.
Conexão entre o litoral capixaba e os Estados Unidos
A escolha da matéria-prima foi o grande ponto de convergência do grupo de pesquisa. A espécie de alga Sargassum é abundante tanto no litoral da Flórida, nos Estados Unidos, quanto nas praias do Espírito Santo. Essa presença simultânea permitiu que os estudantes coletassem amostras, realizassem testes comparativos de viabilidade e analisassem a estrutura do material em ambos os países, validando a aplicação prática e barata da fórmula.
No Espírito Santo, Davi é atendido pelo serviço de Atendimento Educacional Especializado (AEE) direcionado a alunos com Altas Habilidades ou Superdotação. O jovem cientista contou com a orientação direta do professor Luiz Gustavo Gomes ao longo de todas as etapas de elaboração e testes do bioplástico.
De acordo com o professor Luiz Gustavo, o papel do ambiente escolar é justamente identificar pontes entre o potencial dos alunos e as demandas globais de sustentabilidade. A iniciativa de conectar a rede pública estadual a um ecossistema internacional de pesquisa abriu portas para que a ciência feita nas salas de aula capixabas ganhasse tração lá fora.
“Estou sempre em busca de novas oportunidades para meus alunos. Quando identifiquei essa parceria internacional, vi a chance de unir a pesquisa desenvolvida nos Estados Unidos a uma realidade muito nossa, utilizando uma espécie de alga presente aqui no litoral do Espírito Santo”, destaca o orientador.
Durante a competição, além da formulação química do bioplástico, a equipe apresentou uma bateria de testes rigorosos que demonstraram as propriedades mecânicas do material, a velocidade de degradação no meio ambiente e os potenciais de aplicação comercial do novo produto sustentável.










