Cerca de 40 bebês acolhidos no alojamento materno-infantil do Centro Prisional Feminino de Cariacica (CPFC) já tiveram os primeiros meses de vida registrados por meio de ensaios fotográficos profissionais realizados dentro da unidade prisional. A iniciativa faz parte do projeto “Da Gestação para a Vida”, desenvolvido desde 2019 em parceria com uma fotógrafa voluntária.
O objetivo é proporcionar um ambiente mais humanizado às mães privadas de liberdade e garantir às crianças o direito à memória e à dignidade na primeira infância. As fotografias são entregues às famílias das detentas e registram uma fase importante da vida dos bebês, mesmo durante o período de encarceramento das mães.
Atualmente, quatro bebês, com um, dois, quatro e seis meses de idade, vivem com suas mães no berçário do CPFC. As internas chegaram à unidade já grávidas e, conforme previsto em lei, podem permanecer com os filhos até o sexto mês de vida. Após esse período, as crianças passam a ficar sob a guarda temporária de familiares indicados pelas mães e autorizados pela Justiça.
O ensaio mais recente foi realizado na última terça-feira (28), quando os bebês Samuel, Karolaine e Thais participaram de uma sessão fotográfica com cenários temáticos inspirados em safári e bailarinas.
Espaço voltado ao cuidado
Segundo a diretora do Centro Prisional Feminino de Cariacica, Patricia Castro, o alojamento materno-infantil foi estruturado para oferecer condições adequadas tanto às mães quanto aos filhos.
“O alojamento é um ambiente voltado ao cuidado com os bebês, com quartos decorados, assistência médica regular e exclusivo para lactantes e seus bebês. Oferecemos toda condição e estrutura para que essas crianças não tenham seus direitos negligenciados. Elas não tiveram culpa do crime cometido pelas mães e, por isso, merecem todo o cuidado necessário”, afirmou.
A diretora destaca ainda que o projeto também fortalece o vínculo entre mãe e filho durante o período em que convivem na unidade.
“Mesmo em um ambiente de privação de liberdade, proporcionamos a essas mulheres a oportunidade de eternizar essa fase da vida dos filhos com fotos lindas, cenários lúdicos e infantis, que em nenhum momento remetem a um ambiente prisional”, ressaltou.
Lembranças que ficam
Mãe de Murilo, de seis meses, a interna Thais contou que não imaginava que teria a oportunidade de registrar os primeiros meses de vida do filho enquanto cumpre pena.
“Meu filho já participou das sessões de foto duas vezes: a primeira com dois meses e agora com seis. Por estar presa, nunca achei que poderia viver um momento como esse. É muito importante guardar essas lembranças do início da vida dos nossos filhos. O projeto é muito bonito e feito com muito carinho. Nem parece que estamos em uma prisão”, relatou.
Responsável pelos ensaios desde o início do projeto, em 2019, a fotógrafa profissional Luana Adrioli afirma que cada sessão representa mais do que um simples registro fotográfico.
“Realizo esse trabalho com muito amor e cada ensaio é motivo de emoção. Saber que estou proporcionando uma lembrança tão importante para essas crianças e para suas mães é muito gratificante. Elas se sentem acolhidas e percebem que continuam sendo vistas com dignidade e carinho”, afirmou.
Para Luana, iniciativas como essa também ajudam a fortalecer a autoestima das mulheres privadas de liberdade e reforçam a importância da humanização no sistema prisional.










