ES pode encerrar 2026 com cerca de 1.000 acidentes envolvendo bikes elétricas

O avanço das bicicletas elétricas nas ruas do Espírito Santo tem acendido um alerta nas autoridades de trânsito. Somente entre janeiro e abril deste ano, o Estado contabilizou 205 acidentes envolvendo esses veículos, com 27 casos de lesões graves e duas mortes. Mantido o ritmo atual, o número pode alcançar cerca de mil ocorrências até dezembro.

Diante desse cenário, o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES) iniciou estudos para criar mecanismos que ampliem a fiscalização e tragam mais segurança ao trânsito. O objetivo é encontrar alternativas dentro das competências estaduais, já que a legislação federal ainda apresenta limitações para o controle desses equipamentos.

O gerente de Fiscalização de Trânsito do Detran-ES, Jederson Lobato, afirmou que a principal dificuldade enfrentada pelos órgãos de trânsito é a falta de instrumentos legais para identificar proprietários, monitorar velocidades e responsabilizar condutores de boa parte dos veículos de micromobilidade.

Segundo ele, um grupo de trabalho formado por representantes de órgãos federais, estaduais e municipais discute possíveis medidas para reduzir os acidentes e orientar as ações de fiscalização.

Os dados mostram uma escalada dos registros ao longo do ano. Janeiro fechou com 23 ocorrências, fevereiro registrou 37 casos, março atingiu 74 acidentes e abril contabilizou 71.

Para o Detran, parte do problema está relacionada ao comportamento de alguns usuários, que acabam ignorando regras básicas de circulação por acreditarem que esses veículos não estão sujeitos às normas de trânsito. Entre as infrações observadas estão avanços de sinal vermelho, circulação na contramão e deslocamentos em meio ao fluxo de automóveis.

Maioria dos acidentes em vias urbanas

Outro dado que chama atenção é o local onde os acidentes acontecem. Diferentemente da percepção comum, a maioria das ocorrências não é registrada em ciclovias ou ciclofaixas, mas nas vias urbanas compartilhadas com carros, motocicletas, ônibus e caminhões, cenário em que os acidentes costumam apresentar maior gravidade.

Enquanto uma regulamentação mais ampla não é definida, o Detran já atua na fiscalização dos veículos enquadrados como ciclomotores — aqueles com potência superior a mil watts. Nesses casos, a legislação exige emplacamento e habilitação, além de proibir a circulação em calçadas, ciclovias e ciclofaixas.

As propostas elaboradas pelo grupo de trabalho deverão ser encaminhadas ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran-ES), que poderá orientar a aplicação das normas em todos os municípios capixabas.

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