A presença de uma mancha escura no mar da Praia da Guarderia, em Vitória, chamou a atenção de moradores e frequentadores nos últimos dias e levantou questionamentos sobre a qualidade da água em um dos pontos mais conhecidos do litoral da capital.
O fenômeno reacendeu um debate recorrente nas cidades litorâneas: a origem da poluição que chega às praias, especialmente após períodos de chuva.
Esgoto tratado e sistema fechado
Procurada para esclarecer se a ocorrência poderia estar ligada à rede de esgotamento sanitário, a Companhia Espírito-Santense de Saneamento (Cesan) informou que o sistema de coleta e tratamento de esgoto da capital é estruturado de forma fechada, com tubulações subterrâneas que conduzem os resíduos até estações de tratamento.
Segundo a companhia, o esgoto coletado passa por processos de remoção de matéria orgânica antes de ser devolvido ao meio ambiente, com eficiência que pode chegar a 95% de redução da carga poluente. Vitória foi a primeira capital brasileira a alcançar a universalização do serviço de coleta e tratamento de esgoto.
Atualmente, de acordo com dados da própria empresa, cerca de 22 bilhões de litros de esgoto são coletados e tratados por ano apenas na capital.
Drenagem pluvial é outro sistema
Especialistas explicam, no entanto, que o sistema de esgoto é diferente da rede de drenagem pluvial. Enquanto o primeiro é destinado ao esgoto doméstico e passa por tratamento, o segundo é responsável por escoar a água da chuva.
No Brasil, a drenagem urbana é de responsabilidade das prefeituras. A água que escoa pelas galerias pluviais não recebe tratamento antes de ser lançada em rios ou no mar. Em períodos chuvosos, ela pode carregar lixo, resíduos orgânicos, fezes de animais e outros poluentes acumulados nas ruas.
No caso da Praia da Guarderia, a mancha escura teria origem justamente em uma saída de drenagem pluvial que deságua no local. A água, ao alcançar a faixa de areia e o mar, pode alterar temporariamente a coloração e comprometer a balneabilidade.
Impacto ambiental e alerta
A situação evidencia um desafio comum às cidades brasileiras: mesmo com avanços no tratamento de esgoto, a ausência de tratamento das águas pluviais ainda representa um ponto vulnerável na proteção ambiental das praias.
Moradores que identificarem lançamento de água com odor forte ou aparência de esgoto em saídas pluviais devem comunicar a prefeitura, responsável pela manutenção e fiscalização do sistema de drenagem.
Enquanto isso, a orientação é que banhistas fiquem atentos aos boletins de balneabilidade divulgados pelos órgãos ambientais, especialmente após chuvas intensas.









