Mais de 30% dos cursos de Medicina do país apresentaram desempenho insuficiente no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicado a estudantes do último ano. De acordo com os resultados, alunos erraram questões consideradas básicas da prática médica, como diagnóstico de dengue, avaliação de dor de cabeça e prescrição de medicamentos, o que reacendeu o debate sobre a qualidade da formação médica no Brasil.
No Espírito Santo, porém, o cenário foi diferente. O curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) obteve a melhor pontuação do estado e figurou entre os destaques nacionais no exame.
Em entrevista à Rádio ES Hoje, o diretor do Centro de Ciências da Saúde da Ufes, professor doutor Helder Mauad, atribuiu o resultado ao trabalho conjunto de docentes, profissionais de saúde e estudantes, além da integração entre ensino, pesquisa e prática clínica. “É uma conquista de várias mãos, que envolve professores, profissionais da saúde e, principalmente, os alunos, que demonstraram excelente desempenho ao longo do curso”, afirmou.
Segundo o professor, um dos diferenciais da universidade é a inserção precoce dos estudantes nos cenários de prática, desde os primeiros períodos, associando conteúdos básicos, como anatomia e fisiologia, à aplicação clínica supervisionada. A Ufes também investe na atuação de preceptores na rede pública de saúde, em projetos de extensão, iniciação científica e na ampliação da infraestrutura, com destaque para os laboratórios de simulação realística, que permitem o treinamento de situações críticas sem risco aos pacientes.
Para o especialista, os resultados do Enamed devem servir de alerta ao Ministério da Educação e às instituições com baixo desempenho, sem estigmatizar os estudantes individualmente. “O exame revela uma média estatística, mas não define o profissional na hora da consulta. Para muitos, o caminho é buscar uma boa residência médica e continuar se qualificando”, ressaltou.
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