Famílias sem moradia estão ocupando, desde sábado (6), o edifício Castelo Branco, no Centro de Vitória, onde antes funciona a Caixa Econômica e está em processo de transferência para se tornar a nova sede da Câmara de Vereadores. A coordenação do ato é do Movimento Nacional de Luta pela Moradia do ES (MNLM).
“No dia 6 de setembro, o MNLM ocupou um prédio abandonado no centro de Vitória. Enquanto milhares de imóveis seguem vazios, famílias trabalhadoras enfrentam aluguéis abusivos, endividamento e despejos. Nossa ocupação denuncia esse modelo de cidade excludente e afirma: moradia é direito, não mercadoria”, afirma o Movimento. Leia a nota completa:
“A especulação imobiliária transforma o solo urbano em ativo financeiro, ignorando a função social da propriedade garantida pela Constituição. Ocupar é afirmar esse direito, é exigir um modelo que coloque a vida acima do lucro.
Reivindicamos: o fim imediato dos despejos; a desapropriação de imóveis abandonados para programas de habitação popular; e o fortalecimento do Minha Casa Minha Vida Entidades, com mais recursos e menos burocracia para garantir a autogestão popular.
Denunciamos também a violência institucional contra quem luta por moradia. A reintegração marcada para 9 de setembro na ocupação Vila Esperança, em Vila Velha, é mais um exemplo da escolha do Estado pela repressão, e não pela construção de soluções. Expulsar famílias sem alternativa digna é violar direitos humanos.
Além disso, os entraves burocráticos e a lentidão da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), somados à priorização das grandes construtoras, travam a política habitacional. Em três anos de governo, apenas 36 mil moradias foram iniciadas, frente a um déficit de mais de 6 milhões.
Nossa ocupação é mais do que denúncia: é construção de alternativas. É o poder popular transformando abandono em luta concreta por um Brasil onde morar com dignidade seja um direito garantido.
Cada prédio vazio é um símbolo da injustiça. Cada ocupação, uma semente de futuro.
Moradia não é mercadoria. Ocupação é solução. Nenhum despejo a mais”.
A ocupação acontece no mesmo dia em que a justiça cumpre reintegração de posse nas ocupações Vila Esperança e Vale da Conquista, em Jabaeté, Vila Velha. Várias famílias de Jabaeté acamparam na frente do Palácio Anchieta dia 31 de agosto e durante dias fizeram protestos na região, para chamar atenção para o caso.
A reportagem tenta contato com as lideranças envolvidas. Também pediu notas a Caixa, a Câmara de Vereadores e a Prefeitura de Vitória. A matéria será atualizada conforme as notas chegarem.









