A Polícia Científica do Espírito Santo (PCIES), em parceria com a concessionária Ecovias 101, realizou nesta quinta-feira (29) um crash test inédito no estado, na balança da ANTT, na BR-101, em Serra. A ação simulou, em tempo real, situações de sinistros de trânsito como atropelamentos, colisões entre veículos e impactos contra barreiras, com o objetivo de aprimorar técnicas periciais e contribuir para a segurança viária.
A iniciativa partiu da Seção de Perícias em Acidentes, Incêndio e Explosões (SEPAIE), do Departamento de Perícias Externas do Instituto de Criminalística, com apoio da Academia de Ciências Forenses. Foram realizados testes com aceleração, frenagem e impacto controlado, permitindo aos peritos analisar de forma mais precisa os danos aos veículos e às vítimas em ocorrências reais.
Segundo Marcelo Brandão, chefe da SEPAIE, a simulação permite entender detalhes cruciais sobre a dinâmica dos acidentes, indo além dos relatos frequentemente imprecisos coletados nos locais dos sinistros. “É muito comum ouvirmos que o pedestre surgiu repentinamente, mas com esses testes conseguimos aplicar metodologias que nos permitem reconstruir o acidente, definir a velocidade do veículo no momento do impacto e se os danos são compatíveis com as lesões da vítima”, explicou.
Brandão destacou que o trabalho pericial se baseia em vestígios deixados na pista e nos veículos, sendo essencial a experiência do profissional na leitura desses sinais. “Nosso papel é chegar ao local e, a partir da análise da cena pós-colisão, conseguir voltar no tempo e entender o que aconteceu no instante anterior ao impacto.”

Para Carlos Diniz, coordenador de tráfego da Ecovias 101, a parceria reforça a importância de conhecer a causa raiz dos acidentes para prevenir novas ocorrências. “Quando sabemos a origem do sinistro, podemos atuar com mais eficácia, seja na correção da infraestrutura, no comportamento dos usuários ou em falhas mecânicas. Essa ação integrada é fundamental para reduzir o número de vítimas e sinistros”, pontuou.
Diniz ainda destacou o conceito de “rodovia que perdoa” — vias preparadas para minimizar as consequências de eventuais imprudências dos motoristas. A concessionária mantém um programa de redução de acidentes, que utiliza dados estatísticos para identificar pontos críticos e aplicar soluções que aumentem a segurança.
O perito-geral da Polícia Científica, Carlos Alberto Dalcin, ressaltou que a qualificação técnica dos profissionais impacta diretamente nas investigações e na formulação de políticas públicas. “Essa capacitação permite entregarmos resultados mais robustos à Justiça e também orientar o Estado sobre como melhorar a infraestrutura viária e reduzir os acidentes, considerando inclusive o fator humano como causa recorrente”, afirmou.
Apesar do fim do Maio Amarelo, a campanha de conscientização para um trânsito mais seguro segue como alerta permanente para motoristas e pedestres.









