As recentes mudanças no trânsito da Enseada do Suá, bairro nobre de Vitória, vêm gerando forte reação da comunidade local. As alterações, implementadas pela Prefeitura para reordenar o fluxo viário em direção à Terceira Ponte, incluem redirecionamentos de tráfego, bloqueios em vias de acesso e a conversão da Rua Clóvis Machado em mão dupla, com eliminação de vagas de estacionamento.
A primeira mudança ocorre na avenida João Batista Parra, que passa a funcionar inteira em sentido duplo, inclusive no trecho entre a avenida Nossa Senhora dos Navegantes e a praça José Francisco Arruela Maio.

Moradores e empresários da região relatam dificuldades de acesso às residências e comércios, aumento no tempo de deslocamento e insegurança nos horários de pico. Eles disseram que não foram consultados antes das mudanças.
“Não houve audiência pública, tampouco apresentação de estudo técnico que justificasse tais mudanças. Isso é um desrespeito com os moradores”, criticou o morador Lanúcio Silva durante assembleia realizada pelos moradores na noite de quinta-feira (22).
Ele destacou os impactos diretos na Rua Clóvis Machado, onde a retirada de vagas de estacionamento, segundo Lanúcio, compromete até o embarque de crianças em transportes escolares. “Além de ilegal, essa medida põe em risco a segurança de menores, ao forçar o embarque no meio da rua”, afirmou.
Diante da insatisfação crescente, a Associação de Moradores e Empresários da Enseada do Suá (AMEIES) convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para debater os efeitos das mudanças e pressionar a Prefeitura por ajustes no projeto. O morador Leonardo Camata, classificou as alterações como retrocesso. “Vitória não pode ser tratorada. Obras que atropelam o tecido social e ignoram o direito de ir e vir. Não são progresso, são retrocesso. A cidade tem limites — físicos e sociais — que precisam ser respeitados”.

Entre os pedidos apresentados na assembleia estão a suspensão imediata da nova configuração viária da Rua Clóvis Machado, a reabertura do diálogo com a comunidade e o envio de todo o material da reunião ao Ministério Público do Espírito Santo.
A Enseada do Suá é uma das regiões mais adensadas comercial e institucionalmente da capital capixaba, o que, segundo a AMEIES, exige planejamento responsável e participação cidadã. “Não somos contra mudanças, mas elas precisam ser construídas com quem vive aqui todos os dias”, reforça a entidade.
Prefeitura: demanda histórica
Em nota, a Secretaria Municipal de Obras (Semob) informou que as intervenções fazem parte do Plano Mobilidade Leste, que contempla os bairros Enseada do Suá, Praia do Canto, Santa Helena e Praia do Suá. Segundo a pasta, o projeto foi construído com base em diálogo direto com a população e considerou diversas sugestões apresentadas pelas comunidades.
“A Prefeitura realizou reuniões e acatou propostas apresentadas pelas associações de moradores. O projeto é fruto de uma demanda histórica e foi amplamente debatido ao longo de 2022 e 2023”, afirma a nota. Ainda de acordo com a Semob, todas as mudanças implementadas foram validadas por representantes locais.
O secretário de Obras, Gustavo Perin, reforça que “esse projeto é fruto de reivindicações registradas na Prefeitura, de quem mora naquela região e precisa disputar saída com o fluxo da ponte. Na Clóvis Machado, serão mantidas três faixas no sentido da ponte e apenas uma no sentido contrário. Na João Batista Parra, os motoristas terão mais uma via para seguir em direção à ponte, com maior capacidade de absorção do tráfego”.
A Prefeitura afirma que as intervenções têm como objetivo melhorar a mobilidade, reduzir gargalos e tornar o trânsito mais seguro e eficiente, respeitando as características urbanas e sociais da região.









