Nesta época do ano, em que o calor e chuva são frequentes, é comum a aparição do “Achatina Fulica”, comumente conhecidos por caramujos africanos. Ativos no inverno, resistentes ao frio e à seca, eles saem para se alimentar e reproduzir à noite, durante ou logo após as chuvas.
Causando impactos tanto à biodiversidade quanto à saúde pública, esta espécie de molusco é exótica e não pertence à fauna brasileira. Nativo da África, ele chegou ao Brasil na década de 1980 como aposta comercial, na busca de uma alternativa mais barata ao escargot e se adaptou muito bem ao clima.
De acordo com a bióloga Luceli de Souza, esses animais aparecem em todo e qualquer ambiente que tenha as condições necessárias para o desenvolvimento e crescimento dos indivíduos: alimento disponível e local de abrigo, principalmente em período chuvoso.
Professora do Departamento de Biologia do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Luceli contou que o maior prejuízo ambiental causado pela introdução do caramujo africano é a perda de biodiversidade.
O caramujo africano age no ambiente como uma espécie exótica invasora que compete com as espécies nativas por espaço e por alimento. Neste processo de competição, ele supera as espécies nativas.
Enquanto as espécies brasileiras de caramujos tem função ecológica por fazerem parte da cadeia alimentar, o caramujo africano afeta a população natural de caramujos brasileiros. “Isso acontece por eles serem espécies com alto poder de reprodução e alimentação, ou seja, estão competindo e afetando o ambiente de ocorrência dos caramujos brasileiros que são fonte de alimento para diversas espécies de anfíbios, serpentes, aves e mamíferos”, destacou.
Além disso, é importante destacar que ele também pode servir como hospedeiro de vários parasitas e, depois de mortos, as conchas vazias podem acumular água e servir como reservatório para larvas do mosquito Aedes aegypti, o mosquito da dengue.
Riscos a saúde humana

Quando o assunto são os riscos para os seres humanos, a especialista explicou que a espécie é transmissora de dois tipos de parasitas (vermes) que podem causar doenças nos humanos: a meningite eosinofílica, causada pelo verme Angiostrongylus cantonensis; e a angiostrongilíase abdominal, causada pelo parasita Angiostrongylus costaricensis.
Cabe destacar que a transmissão ocorre por meio do muco que o molusco libera para se locomover. “É importante informar à população para não segurar os caramujos africanos sem luva ou sem um saco plástico protegendo as mãos. Além disso, lavar e higienizar as frutas e verduras, como já é solicitado para evitar a contaminação por qualquer outro tipo de verme”, alertou.
Segundo a especialista, uma forma eficaz de combater essa espécie de caramujo é fazendo a catação manual dos indivíduos e também dos ovos (que tem o tamanho de uma ervilha, mas de cor branca amarelada), colocá-los em recipiente com sal e, depois, enterrar ou incinerar, com os devidos cuidados.
“Importante também informar à população para manter os quintais e áreas livres de entulhos, que é um local de abrigo para os caramujos”, frisou.









