Nesta terça-feira, 8 de setembro, quando completa 475 anos, a cidade de Vitória vive um momento em que a preservação de sua identidade secular precisa caminhar lado a lado com as exigências da vida moderna. Uma das capitais mais antigas do Brasil, a Ilha enfrenta o desafio contínuo de modernizar áreas densamente povoadas sem apagar as marcas de seu passado.
Atualmente, quem caminha pelo Centro Tradicional ou por bairros históricos como Jucutuquara, percebe que a cidade está em plena metamorfose. Praças tradicionais, calçadões comerciais e a antiga relação do capixaba com o canal da Baía de Vitória passam por obras de reurbanização que redefinem a circulação e o lazer da população.
O desafio arqueológico na Rua Sete
Uma das transformações mais emblemáticas em andamento ocorre no coração do Centro, nas ruas Sete de Setembro e Gama Rosa. A Rua Sete, antiga Rua da Várzea, recebeu a denominação atual no Centenário da Independência, em 1922, e consolidou-se na segunda metade do século XX como o principal corredor cultural e comercial do bairro.

Prevista para ser concluída em novembro deste ano, a obra inclui piso de granito no calçadão, novas calçadas com acessibilidade, iluminação moderna, paisagismo, faixas elevadas para pedestres e reformulação da Praça Ubaldo Ramalhete.
Por se tratar de um perímetro histórico consolidado, a execução exige uma logística complexa: a obra convive diariamente com o fluxo de moradores e comerciantes e conta com acompanhamento arqueológico constante nas escavações.
“Qualquer fragmento de cerâmica ou vestígio do subsolo precisa ser identificado e analisado antes que o maquinário avance. É a garantia de que a modernização da infraestrutura urbana aconteça sem destruir a memória oculta da cidade”, explicam os engenheiros do Consórcio Monjardim, responsável pela execução das obras na região.
Da tradição ao lazer: redescoberta de espaços públicos

A onda de intervenções urbanas não se limita às vias comerciais do Centro. Em Jucutuquara, a tradicional Praça Asdrubal Soares foi entregue revitalizada. Com aproximadamente 4 mil metros quadrados, o espaço ganhou:
Quadra poliesportiva e equipamentos infantis;
Novo sistema de drenagem e áreas de convivência arborizadas;
Estrutura multifuncional projetada para feiras livres, eventos comunitários e food trucks.
Já nas praças Getúlio Vargas e Mirante do Porto, a proposta é resgatar a vocação contemplativa de Vitória, valorizando a vista direta para a Baía e para o movimento portuário. As intervenções combinam novas estruturas de mobilidade com pontos de permanência para moradores e turistas.
O desafio de construir em uma cidade adensada
Transformar uma capital territorialmente compacta e altamente adensada exige soluções técnicas sob medida. Apenas nestas três frentes de trabalho, cerca de 100 empregos diretos foram mobilizados — reunindo pedreiros, encarregados, técnicos e engenheiros especializados em obras urbanas de alto impacto.
Com mais de quatro anos de presença marcante na infraestrutura da Ilha e outros contratos já entregues, a Monjardim Construções integra os consórcios à frente dessas intervenções. Para a empresa, atuar em locais centenários requer alinhar a precisão da engenharia pesada com o respeito à rotina de quem vive o local.
Aos 475 anos, Vitória prova que reurbanizar vai muito além de trocar o pavimento: significa preparar a cidade para o futuro sem perder a conexão com as histórias escritas em suas pedras.










