O cenário político da Serra e do Espírito Santo ganha um novo e conhecido capítulo. Filho de duas das maiores lideranças do município — o ex-prefeito Sérgio Vidigal e a ex-deputada Sueli Vidigal —, o médico oftalmologista Antônio Sérgio Alves Vidigal Júnior, o Serginho Vidigal, oficializou sua entrada definitiva na militância política.
Em entrevista franca ao programa EntreVistas, do canal ES Hoje, Serginho detalhou os motivos de sua filiação ao Podemos, revelou os bastidores de sua decisão de não disputar as eleições municipais e traçou suas metas como pré-candidato a deputado federal para 2026.
Por que Serginho Vidigal escolheu o Podemos e não o PDT?
Uma das maiores curiosidades do eleitorado capixaba é a escolha partidária de Serginho. Enquanto seus pais construíram uma trajetória histórica no PDT (partido de centro-esquerda), o jovem médico optou pelo Podemos (de centro-direita).
De acordo com Serginho, a decisão foi natural e visa a construção de sua própria identidade política, sem que isso signifique qualquer ruptura com a história da família:
“É igual a um filho criado em uma casa: muitas vezes, quando vai começar a sua vida, ele acaba tendo um novo ambiente. Vejo no Podemos a possibilidade de criar uma identidade muito parecida com quem é o Serginho Vidigal — baseada na fé cristã, mas com o entendimento de que é preciso estar ao centro para dialogar. A política não se resolve com polarização.”
Além disso, ele destacou que o Podemos integra formalmente a base de apoio tanto do atual prefeito da Serra quanto do governador do Estado, mantendo a coerência com o grupo político do qual seu pai faz parte.
Os bastidores da recusa ao Progressistas e a relação com Audifax Barcelos
Serginho Vidigal também confirmou ter recebido convites de outras grandes siglas, como o União Brasil e o Progressistas (PP). No entanto, a aproximação com o PP esbarrou em uma conjuntura política local delicada: o partido é liderado na Serra por Audifax Barcelos, histórico adversário político de seu pai.
Embora se declare “aberto ao diálogo” e afirme não guardar arestas pessoais, Serginho foi pragmático sobre a decisão de recusar o convite do Progressistas:
Falta de sintonia: O PP e o União Brasil não estão totalmente alinhados com as diretrizes da atual gestão municipal da Serra.
Conforto político: “Não me sinto confortável em estar em um local onde não exista harmonia”, resumiu o médico, pontuando que o Podemos oferecia o ambiente ideal de união.
Por que a estreia não aconteceu nas eleições municipais?
Muitos esperavam que Serginho Vidigal fizesse sua estreia nas urnas na disputa pela Prefeitura da Serra, principalmente quando o pai, Sérgio Vidigal, optou por não concorrer à reeleição.
O pré-candidato explicou que o momento familiar exigiu prioridades diferentes e que o respeito pelo processo de amadurecimento pesou na decisão:
Acolhimento familiar: O ano foi marcado por cuidados intensos com a saúde de sua mãe, Sueli Vidigal. “Era fundamental para toda a família estar envolvida nisso. Não estávamos estruturando campanha, precisávamos estar presentes naquele momento de dor”, relatou.
Mais do que um sobrenome: Como médico atuante no SUS e professor da UFES, ele ressalta que queria entregar uma trajetória consolidada. “O sobrenome abre portas, mas o que mantém as portas abertas é o seu trabalho. Eu não podia oferecer à política apenas um sobrenome.”
“Weverson Meireles é um irmão”: Parceria para o futuro da Serra
Com a entrada de Weverson Meireles (PDT) na liderança do executivo municipal, Serginho descarta categoricamente qualquer disputa de espaço ou vaidade interna no grupo político. Ele define o atual prefeito como “um irmão mais novo” e foca em uma atuação colaborativa:
Meta para 2028: Serginho garante que seu projeto político para a Serra é apoiar integralmente a reeleição de Weverson.
Dobradinha de força: Enquanto Weverson lidera o município, o objetivo de Serginho é ocupar uma cadeira na Câmara Federal para suprir a carência de representação de Brasília.
“A Serra está há anos sem um deputado federal. A cada R$ 100 de imposto pago pelo cidadão, R$ 60 vai para a União, R$ 26 para o Estado e apenas R$ 14 fica na cidade. Precisamos de um representante em Brasília para brigar pelo retorno desses recursos em saúde e educação”, concluiu.









