Kika Carvalho leva pesquisa sobre a cor ao 9º Encontros com a Arte Contemporânea

O Museu Vale realiza no próximo dia 13 de outubro a 9ª edição do Encontros com a Arte Contemporânea, que neste ano tem como tema “Procuro-me: memória, presença e palavra”. Apresentado pelo Ministério da Cultura, pela Vale e pelo Museu Vale, dentro do programa Museu Vale Extramuros, o evento ocupa o Teatro Universitário da Ufes, com curadoria de Omar Salomão e Claudia Afonso.

A mesa de abertura, “Escritas do Tempo”, acontece das 10h às 12h e reúne a artista visual Kika Carvalho e o artista Mulambö, com mediação da curadora Isabella Baltazar. A proposta é refletir sobre a invenção de símbolos, imagens e momentos a partir de uma poética dos afetos, pensando a criação artística como gesto capaz de construir, acumular e preservar memórias em um presente atravessado por diferentes temporalidades.

“A cor é um elemento carregado de história. Ela não veio ao mundo dado como a percebemos, nós atribuímos valor e significado. São essas escolhas que me interessam”, diz a artista.

Para Kika Carvalho, o encontro tem sabor de retorno. Formada em Artes Visuais pela própria Ufes, a artista trabalha com pintura, cianotipia, instalação e colagem, desenvolvendo uma pesquisa em torno da cor e de sua função nas relações materiais, históricas e sociais. Sua produção é atravessada pela prática da pintura urbana e pela arte-educação, experiências que marcam o modo como ela pensa a imagem em diálogo com o espaço público e com outras pessoas.

“Voltar à Ufes significa que, apesar das dificuldades existirem, o potencial criativo é maior. Sou grata aos bons professores que entenderam que a universidade é um espaço público para todos. Que as diferenças são pontos de partida para enriquecer o debate, não uma pedra no sapato”.

A trajetória de Kika inclui residências artísticas como a Angola Air, no Espaço Luanda Arte, em 2022, e a Vila Sul, do Instituto Goethe de Salvador, em 2020. Em 2023, realizou a individual “Ultramar”, na Casa Museu Eva Klabin, no Rio de Janeiro. São passagens que ajudam a entender por que sua obra dialoga tão diretamente com o tema desta edição: a cor, em seu trabalho, carrega história, deslocamento e memória.

Ao seu lado estará Mulambö, que nasceu João, em 1995, e cresceu Mulambö na Praia da Vila, em Saquarema (RJ). Utilizando pinturas, objetos, bandeiras, vídeos e instalações, ele constrói mundos que transitam entre o íntimo e o coletivo, o local e o global. Mulambö se define como artista atlântico e costuma afirmar que não há museu no mundo como a casa da nossa vó.

A mediação fica a cargo de Isabella Baltazar, curadora e doutora em Literatura. Ela é idealizadora do Letra Preta: Escrita e Imaginações, organização voltada à diversidade e à inclusão que atua na redução das desigualdades por meio da educação, da comunicação e da cultura, e que realizou a edição inaugural da Festa Literária Internacional Capixaba (Flinc).

O evento é gratuito, tem classificação livre e não exige inscrição prévia

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