A conexão e a permanência do legado afro-indígena protagonizam a primeira exposição individual institucional da artista Ione Reis. “Vermelho Urucum” estreia na Galeria Homero Massena no dia 09 de outubro, às 18h30, e segue aberta para visitação até 12 de dezembro.
Com pinturas, instalações e artefatos, a exposição vai proporcionar uma imersão nos saberes e manifestações culturais afro-indígenas, destacando os laços entre esses povos, sua ligação com a natureza e sua importância fundamental na formação da cultura brasileira. Além do resgate histórico, “Vermelho Urucum” aborda a permanência da ancestralidade afro-indígena como força viva, que se perpetua ainda hoje em diversas expressões culturais, como o Congo, o Ticumbi, o Funk e o Ballroom.
A exposição representa um marco na carreira de alcance nacional e internacional de Ione Reis, com sua poética afro-indígena e o uso de pigmentos naturais, pinturas e instalações que investigam memória, território, ancestralidade e resistência.

O Urucum é elemento essencial e simbólico resgatado pela artista, que criou as obras com a tintura do urucum e realizou desde a colheita até a passagem na peneira e no pilão, revisitando esses costumes indígenas e afro-brasileiros que também fizeram parte da infância de Ione em Itabatã, na Bahia.
“A ideia de pintar com o Urucum veio das minhas memórias de infância. No quintal da minha casa, havia um pé de Uurucum e eu brincava muito com as tintas. Nossas brincadeiras de crianças eram rodeadas dessa árvore e dos seus frutos, que a gente usava pra pintar coisas, criar bichinhos e bonecas. O costume de peneirar e pilar o Urucum também sempre foi praticado pela minha família, por meus pais e avós”, relembra a artista.
Parte da criação das obras foi realizada durante a imersão de Ione Reis na Residência Artística Terra Saúva, integrando o Programa “Habitar os Vínculos”, localizado no Cerrado da região de Botucatu, em São Paulo. A artista também se inspirou nas pesquisas e vivências que realizou em comunidades quilombolas de Conceição da Barra e na Aldeia Guarani de Aracruz.

Sobre a artista
Ione Reis é multiartista e arte-educadora, nascida em 1997, em Itabatã, Bahia. Desde 2016, vive e trabalha em Vitória, ES. É bacharel em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Sua pesquisa articula memória, território e ancestralidade a partir de uma poética afro-indígena, na qual a pintura, os pigmentos naturais, a instalação e outras linguagens constroem uma prática que a artista denomina “Artevivência”.
Seu trabalho investiga as relações entre corpo, território e resistência, evocando saberes ancestrais e experiências afro-diaspóricas. Com trajetória nacional e internacional, participou de exposições e projetos no Brasil, na África do Sul e no Peru, incluindo participação no Festival Nosotras Estamos en la Calle, em Lima. Também colaborou com iniciativas ligadas à ONU. Integra o coletivo nacional Trovoa e o acervo permanente do Museu de Arte do Espírito Santo (MAES).
Em 2025, recebeu o Prêmio de Honra ao Mérito Cultural e foi condecorada como Comendadora do Estado do Espírito Santo pela Assembleia Legislativa, em reconhecimento à sua contribuição para a cultura.










