A peça Tom na Fazenda em Vitória terá suas primeiras apresentações nos dias 21, 22 e 23 de agosto, no Teatro Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Idealizada e protagonizada pelo ator Armando Babaioff, que assina a tradução do texto do dramaturgo canadense Michel Marc Bouchard, a montagem premiada internacionalmente aborda temas como homofobia, patriarcado e dinâmicas familiares. A direção é de Rodrigo Portella e o elenco conta ainda com Denise Del Vecchio, Iano Salomão e Camila Nhary.
Espetáculo de sucesso internacional chega ao Teatro UFES em Vitória
As apresentações na capital capixaba integram uma nova turnê nacional, realizada após 23 sessões no Festival de Edimburgo, na Escócia, onde atingiu um público superior a 7 mil espectadores. O projeto conta com patrocínio da Petrobras por meio da Lei Rouanet, com realização do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Na trama, o publicitário Tom (Armando Babaioff) viaja à propriedade rural da família de seu companheiro para acompanhar o funeral após um acidente. No local, descobre que a sogra Agatha (Denise Del Vecchio) desconhecia a existência do relacionamento e a orientação sexual do filho, aguardando a chegada de uma suposta namorada (Camila Nhary). No ambiente hostil, Tom é submetido a um jogo de mentiras articulado pelo cunhado Francis (Iano Salomão).

Armando Babaioff destacou a relevância social da produção ao comentar a adaptação do texto para o teatro.
“Tom na Fazenda é um espetáculo necessário, pela temática e pela qualidade artística. A encenação de Rodrigo Portella é um convite a experimentar o teatro na sua máxima potência. É um privilégio poder circular com o espetáculo pelo Brasil e mostrar no exterior a potência do teatro brasileiro”, afirmou Armando Babaioff.
A montagem utiliza uma cenografia crua, composta por uma grande lona coberta por lama e água, criando um ambiente escorregadio que simboliza a instabilidade das relações retratadas.
O diretor Rodrigo Portella analisou a estrutura dramática da obra e o impacto do conflito central.
“Bouchard compôs uma obra de estrutura impecável. Ele vai fundo nas contradições dos seus personagens, o que os torna muito próximos de nós e traz o problema para dentro das casas, para o núcleo familiar mais íntimo, que todos nós conhecemos”, explicou o diretor Rodrigo Portella.
O autor da obra original, Michel Marc Bouchard, resumiu a temática central da narrativa.
“Homossexuais aprendem a mentir antes mesmo de aprender a amar”, declarou o dramaturgo Michel Marc Bouchard.
Montagem acumula mais de 30 prêmios e turnês no exterior
Em nove anos de circulação, o espetáculo soma mais de 200 mil espectadores em quase 600 apresentações. A produção foi contemplada com mais de 30 premiações no Brasil e no exterior, incluindo o Prix de la Critique de Melhor Espetáculo (2018), concedido pela Associação Quebequense de Críticos de Teatro (AQTC), além dos prêmios APCA, Shell, Cesgranrio e APTR.
A trajetória internacional do espetáculo inclui passagens pelos festivais TransAmériques (Canadá) e Mythos (França), com temporadas cumpridas no Canadá, França, Reino Unido, Suíça e Bélgica. Em 2022, esteve no Festival Off Avignon, e em 2023 cumpriu temporada de quase um mês no Théâtre Paris-Villette, na França, marcando a primeira ocupação de um espetáculo latino-americano no espaço com recorde de público e bilheteria.










