Gabriela Curry apresenta na Bienal 2026 o livro ‘Depois que Abri a Porta do Mar’

A escritora Gabriela Curry se prepara para fazer sua estreia na Bienal do Livro, que acontece de 4 a 13 de setembro – em São Paulo. Ela apresenta o livro autoral ‘Depois que Abri a Porta do Mar – Crônicas Entre Dois Continentes’, da Editora Lacre. A obra reúne uma série de crônicas inspiradas nas suas experiências de vida durante os 25 anos que viveu entre Brasil e Portugal após sair do Espírito Santo, em 2001.

“Eu estou em êxtase! Nem nos meus sonhos mais loucos imaginei que teria o meu metro quadrado na Bienal”, relata. No dia 6 de setembro ela, ao lado das autoras Kika Gama Lobo e Manika Apsara, estará no Espaço Escreva Garota onde participa de um bate papo em que fala mais sobre a obra, além de uma troca com Kika e Apsara. “No terceiro dia, nós três promoveremos um bate-papo às 12h. Em seguida, estaremos no espaço, conversando, trocando ideias, vendendo e autografando nossos livros”.

Foi justamente através de um impulsionamento da Kika que surgiu a ideia de criar o livro. Gabriela reuniu escritas desde a época da adolescência e ficou um mês em cafeterias do Rio de Janeiro juntando todos os textos de duas décadas. Com todo o material pronto, faltava o título: uma analogia que mais reflete a parte sentimental da sua vida.

“Esse Atlântico tem uma porta. Imaginária, poética, mas muito real para mim. Eu a abro e chego em casa, em Portugal. Abro-a de novo e retorno para casa, no Brasil. Há 25 anos vivo nesse vai e vem atravessando essa porta sempre aberta e construindo, entre as duas margens, o meu caminho. E casa não é forçosamente um espaço físico, é mais um sentimento. Eu encontro abrigo nos dois lugares”.

Experiencias narradas indiretamente

Muitas das experiências durante essa transição constante são retratadas no livro. “Há muitos textos que narram os primeiros anos de adaptação: as impressões, os sentimentos e as situações vividas nas escolas. Alguns contam como eu e minha irmã nos emancipamos tão cedo e a importância da confiança e educação da nossa mãe para enfrentarmos muitas coisas. Existem outros sobre os primeiros anos da minha volta ao Brasil, aos 34 anos — a mesma idade em que minha mãe emigrou para Portugal. É uma mistura interessante, porque o leitor acompanhará dois processos vividos em momentos e idades muito diferentes da minha vida”, fala.

A escolha pela escrita não veio atoa: jornalista de formação, ela conta que desde cedo as pessoas próximas diziam que ela deveria seguir carreira no ramo. “Sou naturalmente midiática: crio, escrevo, capto, edito e tenho pouquíssima dificuldade em falar diante de uma câmera. Claro que ninguém nasce sabendo; vamos aprimorando, errando e aprendendo ao longo do caminho. Mesmo nos curtos períodos em que não tinha vínculos empregatícios, eu roteirizava, captava e editava meus próprios conteúdos para o Instagram”, conta.

Da sugestão pelo jornalismo, Gabriela fez, em Porto, toda a graduação e logo após finalizar, em 2017, tomou uma decisão ousada: pegar uma passagem só de ida para o Brasil por haver o desejo de se tornar repórter no país. O destino, Rio de Janeiro e, em 2018, a oferta: a escritora entregou um currículo na sede da Band para pouco tempo depois ser contratada. A experiência durou alguns meses, classificados por ela como “intensos e impactantes”.

Toda essa trajetória é contada em forma de crônica no livro. Parte do que é repassado ao público nas páginas da publicação conta um outro momento, o período em que ela precisou ser “forjada” em Portugal; por chegar aos 15 anos, Gabriela vivenciou costumes pelo olhar português. De Luiz de Camões – ao invés de Machado de Assis – ao ritual de se tomar sopa sempre antes de almoços e jantares, a capixaba se moldou através de costumes portugueses com a mescla de todo o aprendizado brasileiro. O resultado foi passar a estranhar o popular “jeitinho brasileiro”, além de se acostumar com o jeito mais frio dos lusos.

Xenofobia

O não pertencimento da autora em solo português também teve haver com momentos xenofóbicos que vivenciou e conta em ‘Depois que Abri a Porta do Mar’.

“Sofri com estereótipos, rótulos, preconceitos. 25 anos atrás, para muita gente na Europa, brasileira era vista apenas como prostituta ou manicure. Até você explicar que não há problema algum em ser qualquer uma das duas, a conversa costumava ser longa, ou terminava em tapa (risos). Uma das minhas crônicas, inclusive, fala de um caso em que minha irmã, aos 13 anos, voou na jugular de um sujeito que gritou no corredor da escola: “Lá vêm as brasileiras, filhas da put&!”. Ela respondeu na hora: “Da minha mãe você não fala!”, lembra.

Por ter vivido a dor do preconceito de perto, Gabriela escolheu ir contra todos eles e usar as crônicas como forma de não se omitir em prol da luta. “São causas que não pertencem a um grupo específico; elas devem ser olhadas e defendidas ativamente por todos nós. Escrevo sobre elas porque não posso passar omissa diante das inúmeras barbáries cometidas todos os dias contra mulheres, pretos e pessoas LGBTQIAPN+. Se você se cala, pode até não cometer o crime, mas se torna cúmplice daquilo que permite que continue acontecendo”, finaliza.

O livro ‘Depois que abri a porta do mar’ da jornalista, escritora e publicitária Gabriela Curry, que será apresentado na Bienal do Livro 2026, pode ser adquirido https://editoralacre.com.br/produto/depois-que-abri-a-porta-do-mar/

Sobre Gabriela Curry

Nascida em 1985, no Espírito Santo, Gabriela é licenciada em Jornalismo pela Universidade do Porto – POR e também segue carreira na área da Publicidade, colaborando anualmente com a maior revista de noivas de Portugal, enquanto mantinha viva a ligação com o mundo e com a escrita.

Durante o vínculo entre culturas, lugares e encontros, começou a ganhar forma com a parte literária. Gabriela passou a compartilhar nas redes sociais crônicas que escreveu durante boa parte da vida e, aos poucos, conquistou leitores diversos que passaram a acompanhar o trabalho.

Mais recentemente, a partir de uma inquietação da escritora Kika Gama Lobo, Gabriela começou a desenvolver o que hoje é o livro ‘Depois que Abri a Porta do Mar – Crônicas Entre Dois Continentes’, da Editora Lacre.

Além da trajetória recente com o livro, ela também possui nove anos atuando como publicitária, com destaque na construção de carreira em algumas das mais reconhecidas agências do mundo, a exemplo da Ogilvy, BETC Havas e Rock World, desenvolvendo projetos para grandes marcas e consolidando a própria experiência em comunicação e gestão de contas.

Sem deixar o lado jornalístico, a autora do livro também escreve, desde 2022, para a revista I Love Brides, em Portugal. Com uma aposta pela autenticidade, simplicidade e narrativa leve com pitadas de humor nos trabalhos que faz, ela também se dedica de forma autoral na criação de roteiros, edição e produção de histórias de viagem para o Instagram próprio. Além disso, já contribuiu para inúmeros projetos editoriais. No Brasil, atuou como repórter na TV Bandeirantes.

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