Até o dia 20 de junho, a Galeria Carmo Johnson, em São Paulo, recebe a 3ª Mostra Etnomídia Indígena. Sob o tema “Festival de Impressos Indígenas”, o evento adota o formato de feira-festival, consolidando-se como um espaço importante para a expansão da criatividade, da memória e da resiliência de diversos territórios brasileiros. Entre os participantes, destacam-se três artistas indígenas que vivem no Espírito Santo: Ara Guarani, Sônia Guarani e Claudiomiro Guarani. Eles fazem parte do coletivo Rembyapó e trazem um conjunto de pinturas e objetos instalativos, que fazem referência à cultura e à vida do seu povo.
O convite para participar da Exposição surgiu da organizadora da Etnomídia, Naine Terena. Em outubro de 2025, Terena esteve na Residência Artística Mbómonhanga, realizada no território indígena de Aracruz, a partir do Núcleo de Projetos Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), com recursos do Fundo Estadual de Cultura (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult) e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) do Ministério da Cultura (Minc), Governo Federal.
A vivência em Aracruz, teve a intenção de expandir possibilidades de criar visibilidade para a produção desses povos. Como uma primeira iniciativa, o grupo Guarani apresenta um pouco das produções locais na exposição em São Paulo, mostrando a obra de artistas indígenas do território capixaba para outros curadores e instituições fora do Espírito Santo. Além da participação na mostra Etnomídia, o diálogo com a curadora Naine Terena desdobrou-se em uma inscrição no Programa Territórios Criativos da Lei Rouanet, que está em fase de captação de recursos. Além disso, a experiência da residência artística foi escolhida entre iniciativas de referência mapeadas pelo Ministério da Cultura.
A 3ª Mostra Etnomídia Indígena, que estreou em São Paulo, funciona como uma feira-exposição de artes, atuando como uma plataforma para que a produção intelectual e artística de diversos povos ocupe o centro do debate cultural. Por isso a ideia de impressos e impressões é o foco desta edição, que reúne a materialidade da cultura indígena manifestada em múltiplas formas, como a literatura, a moda, impressos e as artes visuais. Aprovado na Seleção Petrobras Cultural com recursos da Lei Rouanet e Ministério da Cultura, é realizada pela Oráculo Comunicação, Educação e Cultura. Depois da capital paulista, a Mostra ainda visitará Salvador (BA) e Brasília (DF).
Naine Terena reforça que esta terceira edição, ‘brinca’ com a ideia das exposições de arte em diálogo com as feiras independentes de impressos, para que se tenha a dimensão das produções indígenas, em especial as coletivas e das pessoas que vivem nas aldeias. Para ela, este é também um campo de expansão da atuação indígena, já que a Mostra conta com a presença forte de profissionais oriundos de diversos povos. Naine ressalta a consolidação do projeto ao lembrar que esta é a terceira etapa de um caminho de investigação sobre a mídia indígena e seus desdobramentos. Enquanto as duas edições anteriores tiveram como temas o audiovisual e as “entidades virtualizadas” no século XXI, o atual foca na tangibilidade da impressão e da escrita.
Gustavo Caboco, curador do festival, define as impressões indígenas como “territórios férteis”. Ele pontua que, ao levar essas obras para escolas, universidades ou galerias, os artistas estão carregando a memória de seus territórios originários em suas falas e ações, transformando cada peça exposta em um documento vivo da existência e resistência indígena.
Um dos grandes destaques desta edição é a expografia. Naine Terena explica que é um desejo antigo fazer com que o espaço de uma exposição pudesse se assemelhar com a organização espacial e social de alguns povos e aldeias indígenas, trazendo a possibilidade de apresentar como tais representações se dão no dia a dia desses povos. Pensando nisso, os estudos assinados por Libério Uiagumeareu, do Povo Boe B ororo, Naine Terena e Gustavo Caboco, analisaram a planta da Galeria Carmo Johnson em relação a uma aldeia Boe Bororo, fazendo nascer uma organização do espaço não meramente estético, mas que replica a complexa organização social e geográfica de uma aldeia Boe.









