A noite desta quinta-feira (7) será de lançamento do e-book ‘De que me vale ser filha da Santa?’, da escritora, dramaturga e produtora cultural Thalia Peçanha. O lançamento acontecerá às 19h30, no tradicional Sarau da Barão, na rua Barão de Monjardim, Centro de Vitória. No local haverá venda de exemplares impressos pelo valor de R$ 40,00 e também será disponibilizado o áudio livro da obra, narrado pela cantora Sthelô, e que, assim como o e-book, é gratuito.
A escolha do Sarau da Barão para lançamento do e-book não foi à toa. Realizado há 11 anos, o evento conta em sua trajetória com muitos frequentadores assíduos, entre eles, a própria Thalia. “De frequentadora a parceira, Thalia está conosco desde o primeiro ano. Por isso, essa noite carrega um sentido ainda mais especial: acompanhamos, com muito orgulho, admiração e afeto, o amadurecimento de sua escrita até este momento singular”, diz a idealizadora do Sarau da Barão e produtora cultural, Ruth Rangel.
Construído em prosa poética, o livro reúne textos escritos em diferentes momentos da trajetória da autora, atravessados pela memória e pelas vivências de pessoas negras. A obra se organiza a partir de gestos, falas, frases e costumes — elementos do cotidiano que a autora recolhe e transforma em linguagem.
Ao trazer essas materialidades para o centro da escrita, o livro constrói um percurso de leitura em que o leitor reconhece como certas violências se repetem e se organizam socialmente, atravessando relações, afetos e modos de existir. As cenas elaboradas ao longo dos textos fazem emergir estruturas como o racismo que insiste, se refaz e permanece. Ao longo do livro, a escrita se move entre denúncia e elaboração, sem abrir mão da complexidade dos afetos e das permanências.
As primeiras publicações impressas de Thalia aconteceram na dramaturgia, especialmente a partir do trabalho com o coletivo Elas Tramam. A prosa poética, no entanto, sempre atravessou sua escrita. De que me vale ser filha da Santa? reúne textos produzidos ao longo de cerca de 13 anos, entre a adolescência e o presente, compondo um recorte específico desse percurso.
O livro se constrói a partir de fragmentos, anotações e experiências acumuladas ao longo do tempo — insumos que a autora reuniu e que agora ganham forma em linguagem. Nesse sentido, a obra não se apresenta como ponto de partida, mas como condensação de uma escrita em curso, onde memória e narrativa social se articulam como força literária.
Dramaturga e coordenadora do Coletivo Elas Tramam, Thalia articula, em sua trajetória, arte, cultura e ativismo, impulsionando a produção de mulheres, pessoas não binárias e travestis e tensionando ausências históricas nos espaços de criação. É autora da dramaturgia Carambolas: algumas verdades em memória de Dona Santa, encenada pela Repertório Artes cênicas em 2024.
De que me vale ser filha da Santa? também pode ser adquirido pelo e-mail produtora.cafetinaria@gmail.com ou pelo Instagram (@comthalia). A obra foi contemplada pelo Edital 011/2024 – Livro, Leitura e Literatura do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secult, e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Além do lançamento desta quinta-feira haverá outro no dia sete de junho, na Casa Thelema, em Praia Grande, Fundão.









