A exposição Amazônia, do renomado fotógrafo Sebastião Salgado, chega a Vitória com um marco especial: ela será a responsável por abrir o museu, que será a segunda área do Cais das Artes. O evento celebra a crença de que é possível salvar a Amazônia — seus rios, florestas e, fundamentalmente, a dignidade e a cultura da vida indígena.
Através de 205 fotografias em preto e branco, o público é convidado a mergulhar na imensidão verde, na sombra das nuvens, no impacto das chuvas e no cotidiano de 12 comunidades indígenas.
A primeira etapa das obras do cais das Artes, a “Praça do Cais”, foi entregue no final de janeiro. Localizado na Enseada do Suá, em Vitória, o espaço é um complexo cultural que integra museu, praça pública e teatro. Com 30 mil metros quadrados de área total, o espaço nasce com a missão de ser um centro de arte, educação e convivência, acessível a todos os públicos, conectando a cidade a redes culturais do Brasil e do mundo. A obra é realizada e gerida pelo Departamento de Edificações e Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), órgão estadual responsável pela gestão e execução.
Uma vida dedicada à biodiversidade
A mostra é o resultado de um trabalho monumental. “São mais de 40 anos pesquisando a Amazônia. Nesta exposição há fotos de 1998, do início do ano 2000, em um total de 48 viagens”, revela Sebastião Salgado. Para o fotógrafo, a experiência foi uma lição de ecologia e humanidade:
Sebastião Salgado por Ricardo Amoroso
“Eu aprendi o que são as chuvas na Amazônia, o que são os rios aéreos. Aprendi sobre a importância da integração do ser humano com a biodiversidade e descobri que nós somos a biodiversidade.”
Do Espírito Santo para o mundo
Mineiro de Aimorés, Salgado possui uma ligação estreita com o Espírito Santo, tendo se formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Após concluir o mestrado na USP e o doutorado na Universidade de Paris, ele deu uma guinada em sua trajetória em 1973, quando decidiu trocar os números pelas lentes, utilizando a câmera de sua então namorada — hoje esposa, curadora e cenógrafa da mostra — Lélia Wanick Salgado.
Para o casal Salgado, as imagens revelam uma Amazônia desconhecida, resiliente graças à impenetrabilidade da selva, mas hoje seriamente ameaçada. A exposição funciona como um manifesto:
Imersão Sonora: Enquanto percorre a galeria, o visitante ouve uma trilha composta pelo músico francês Jean-Michel Jarre, que utiliza sons reais da floresta — o vento nas folhas, o canto dos pássaros e o estrondo das águas.
O Testemunho: O texto de abertura reitera que as fotos são um registro do que ainda resiste. “Para que a vida e a natureza superem o extermínio e a destruição, é dever dos seres humanos de todo o planeta participarem de sua proteção”, afirmam os autores.
Após passar com recordes de público por capitais como Paris, Londres e Roma, a exposição agora convida os capixabas a redescobrirem o pulmão do mundo dentro do novo espaço cultural de Vitória.