Santa Martha: patrimônio cultural de Vitória

Situado na zona norte da cidade de Vitória, em terreno originalmente conhecido como Fazenda de Maruípe, o bairro Santa Martha faz aniversário no neste 29 de julho. As primeiras ocupações datam da década de 1930, quando o bairro era denominado Mulembá, devido à existência da árvore Mulembazeiro. Mais de 80 anos depois, é um bairro que mantem tradições e cultura. Nele surgiu uma escola de samba e a banda de congo mais antiga da capital.

Santa Martha: patrimônio cultural de Vitória
Fotos de Barbara Greco

Os moradores mais antigos (em sua maioria já falecidos) diziam que o Mulembazeiro representava a “casa do demônio” e de lá saíam bichos e sacis, fazendo com que o bairro não progredisse. Essa lenda gerou um desejo de mudança no nome, que só aconteceu em 1958, quando foi doada uma imagem de Santa Martha para uma Igreja Católica em construção.  Há quem diga também que a troca foi por indicação do então vereador Claudionor Lopes Perreira, o “Nono”, morador do bairro São Cristóvão.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento da Cidade (Sedec), embora a ocupação das terras seja antiga, o desenvolvimento do bairro aconteceu de forma lenta. Santa Martha não tinha energia elétrica e água encanada. Os moradores precisavam se deslocar para bairros vizinhos ou ir a pé até o centro de Vitória para fazer compras. O crescimento comercial só aconteceu a partir da década de 1980.

Já a presença do Campo do Caxias contribuiu para o fortalecimento da paixão dos moradores pelo times de futebol locais, como o Unidos de Santa Martha, tricampeão da Copa das Comunidades do Município de Vitória.

Santa Martha: patrimônio cultural de Vitória

O policial militar Marco Antônio Machado, 47, lembra desse e outros times, como o Real Madri e Olaria, e dos muitos campeonatos realizados no Campo do Caxias, que ainda existe. Destacou também que apesar do crescimento urbano, o bairro é pequeno. Todos se conhecem e Santa Martha nunca perdeu a característica de periferia amiga e dos vizinhos porta a porta.

“Estudei a infância toda no Colégio Marieta Escobar. É um lugar onde as pessoas são muito antigas, onde os filhos crescem, ficam e poucos saem. Congrega muitas pessoas antigas. Destaco a Rua Osvaldo Aranha, de onde o congo sai e tem a maior efervescência. É excelente, com pessoas maravilhosas e bem servido de urbanismo”.

O antigo Mulembá, que virou matéria prima para as panelas de barro de Vitória, se tornou berço da banda de congo mais antiga de Vitória, a Amores da Lua. Era 30 de março de 1945, quando Alarico e Cecília de Azevedo a fundaram em devoção a São Benedito. A eles de juntaram Reginaldo e Maria de Lourdes Sales e 72 anos depois, a tradição continua viva pelas mãos do neto e bisneto Ricardo Sales, 32.

“O marco da nossa tradição de manter festejar é sempre em 8 de dezembro, com a cortada do mastro (onde o congo sai em cortejo e vai a mata buscar um tronco simbólico); 24 de dezembro, com a procissão que sai da igreja Católica de Santa Martha e vai ao alto de São Benedito; e no dia 25, coma puxada e fincada que arrastam mais de 10 mil pessoas”, relatou Ricardo.

Sem a pandemia, o congo sai da casa dele, na famosa Rua Osvaldo Aranha, em cortejo pelas ruas da Grande Maruípe, até voltar a Santa Martha e fincar o mastro. “É importante. Mantem viva e preserva a tradição para a comunidade e dos nossos antepassados”. Uma manifestação que foi suspensa em 2020, mas a esperança é que, com a vacina, ela possa voltar a ser repetida neste fim de ano.

Outro destaque cultural do bairro é a Escola de Sampa Andaraí, fundada em 1946. Antes denominada Bloco Batucada, ela nasceu através do time de futebol Arsenal, a tinha como cores o azul e branco e só se tornou escola de samba em 1973. O nome veio de um dos fundadores antigos, o “seu bolinha”, morador do bairro Andaraí, no Rio de Janeiro. As atuais cores, que são verde e rosa, vieram após o batismo da carioca Mangueira.

Santa Martha: patrimônio cultural de Vitória

A vida cultural do bairro também é mantida pelo comerciante João Luiz Mendes, 41. Em 2002 ele abriu um bar por necessidade, mas não imaginava que ao cair no “boca a boca”, se tornaria tão importante, sendo indicado cinco vezes ao prêmio Roda de Boteco. “É um convívio bacana, porque apesar de eu não ter nascido lá, fui abraçado. Meu primeiro cliente foi da comunidade e os que frequentam são fiéis”.

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