Grandes trajetórias do rap capixaba no lançamento do coletivo Holy Raps

Durap, Face da Luz, Alex Emissário, Mano Jô e Anderson são artistas de longa caminhada no gênero e vão se apresentar no evento

O evento de lançamento do site Holy Raps – que celebra a união de artistas do gênero em prol da boa mensagem, trazendo grande variedade de conteúdo online – vai contar com a presença de verdadeiras lendas do rap capixaba e até nacional em sua programação, que acontece neste sábado (31), a partir das 17h, em frente à loja Espaço Hip-Hop, no Centro de Vitória.

Pra início de conversa, DuRap, vocalista e compositor do grupo Suspeitos na Mira, um dos pioneiros do rap no Espírito Santo, vai apresentar o pocket-show do seu  primeiro EP solo, intitulado “As Ruas e Eu”, lançado no final de 2018. Só junto aos Suspeitos, DuRap tem mais estrada do que muitos fãs de rap tem de idade: 26 anos.

“Minha história no rap começou em meados dos anos 80. Comecei como B-boy no movimento Hip-Hop e fiquei como B-boy até o início dos anos 90. Em 1993 o L. Brau teve a ideia de formar o Suspeitos na Mira, a gente se uniu, e aí que comecei no rap, e estou até hoje”, disse o artista, que participou do primeiro vinil de rap capixaba “Tributo a Zumbi” (1997).

Foi, inclusive, um outro membro dos Suspeitos, o produtor L. Brau, que ensinou os primeiros passos no Ritmo e Poesia para os manos do Face da Luz, da Serra, que também se apresentam no evento. “Salve L. Brau pela oportunidade, eu era um moleque que você soltou a base. Me disse: ‘pegue esse mic, mostre sua coragem”, relata o rapper DH na letra da música “FDL”, do CD Vem Teu Reino (2018). O ano era 2001 e tudo começou a partir de um projeto na Escola Valéria Maria Miranda, em Vila Nova de Colares, onde o produtor ministrava oficinas de rap.

“Na época tinha projetos de basquete, de dança, de DJ e de letra e rima, que era feito pelo L. Brau. A princípio eu e o Ed (Carlos, o outro integrante) tínhamos entrado no de basquete. Aí a gente ouviu o som, fomos ver, e vimos que era rap. A gente se interessou…saímos da de basquete e fomos para a de DJ e de rima. Na época eu tinha uns 13 anos, o Ed (Carlos, o outro integrante) uns 15. A gente era bem novo, então foi uma parada muito bacana. E hoje em dia ver o L. Brau é muito gratificante. Saber que foi o cara que ensinou o bê-á-bá da rima e do boombap pra gente, que despertou esse talento em nós”, relata DH.

Desde o início do milênio do ritmo e poesia

Alexsandre Silva dos Santos, vulgo Alex Emissário, começou a compor em cima das batidas urbanas no ano de 2002 influenciado por nomes como Racionais MCs, Facção Central e MV Bill e em 2007 formou o grupo Face Oposta, apadrinhado por nomes como Gl Preto (Negritude Ativa), Rafael Cyclop (In-versão Brasileira) e Emmanuel 7 Linhas.

Após ter tocado em diversos eventos de Hip-Hop no Estado, o rapper se desligou do grupo em 2009, e dois anos depois é apadrinhado pelo MC Adikto como “Emissário”, retornando à cena com o grupo 1Giduz, de temática cristã-protestante, com o qual atuou por um ano. Logo depois, seguiu carreira solo e em 2016 lançou o disco comemorativo “O Show Começa Agora”, correndo estados como Rio de Janeiro, Minas Gerias, São Paulo, Brasília, Bahia e Pernambuco. Para o pocket show, o rapper de Vila Velha promete apresentar um pouco de cada fase.

Oriundo da cena hip-hop gaúcha desde 2001 e radicado no Espírito Santo, o MC Anderson é um dos artistas mais ativos na cena do rap protestante capixaba, tendo organizado as coletâneas Versos ao Rei vol. 1 (2015) e a volume 2 (cujo lançamento será no próximo dia 7 de setembro) e lançado o CD “Glorifica”, em 2017, além do EP “Meu Deus é Bom” neste ano. Seu último lançamento é o single “Castelo de Ilusão”, música que ele promete inserir no set de seu pocket show.

Anderson tem em sua videografia participações com o rapper Levita Jó, na música “Eu Sou Um Milagre” e é o idealizador da cypher “Us Krents” – na qual também canta – que conta com participação dos grupos Sacerdotes da Luz, Santidade e do rapper Interventor.

Primeiro CD após 15 anos de carreira

Só depois de 15 anos de correria no rap, Mano Jô veio a lançar, em 2019, seu primeiro CD “Aba Reta e Calça Larga”, contendo 14 canções de toda a sua carreira. O álbum foi produzido no Macrophono Audiolab, em Vitória, pelo DJ Jack – que também toca no evento –  e está disponível nas melhores plataformas de streaming.

O rapper afirma que levou tanto tempo para lançar seu primeiro registro fonográfico porque queria fazê-lo com excelência e sem pressa.

O álbum conta com participação de grandes nomes, como C.E.L.A, do Ministério Éfeso, e Helhão. “Todo mundo cobrava, mas eu queria fazer uma parada que não fosse só música, queria que a inspiração viesse de Deus para fazer uma música que faça a diferença, para o cara ouvir na biqueira, para o camarada que tiver rodando a favela ouvir”, afirmou Mano Jô.

Além dos rappers, os DJs que estarão nas pick ups do evento de lançamento do Holy Raps, DJ Jack, DJ NattyDread e DJ Djavan são todos da velha escola do rap capixaba e merecem uma matéria à parte.

Sobre o coletivo e site Holy Raps

O coletivo Holy Raps surgiu da união de artistas do rap capixaba com o intuito de passar mensagens construtivas por meio do ritmo e poesia. Atualmente 18 artistas compõem o Holy Raps e o site do coletivo já está no ar, no endereço www.holyraps.com. A intenção do site é oferecer conteúdo vasto, como músicas, videoclipes, notícias, colunas e projetos não somente dos artistas da banca, como de outros músicos do gênero que prezam pela boa mensagem nas suas canções, além de produtos e acessórios.

SERVIÇO:

Lançamento do site Holy Raps

Data: 31 de agosto (sábado)

Horário: a partir das 17h

Local: Espaço Hip Hop (Rua do Rosário, 120, Escadaria do Rosário, Centro de Vitória-ES)

Atrações: DuRap, Face da Luz, Alex Emissário, MC Anderson, Mano Jô, DJ Jack, DJ NattyDread, DJ Djavan

Entrada: Aberto ao público

Gustavo Gouvêa
Gustavo Gouvêahttps://eshoje.com.br/author/gustavo-gouvea/
Jornalista graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2009; atuou nos principais veículos de comunicação do ES; tem mestrado em Ciências Sociais pela Ufes (2019), é teólogo formado pelo Cetebes (Centro Teológico Batista do ES) em 2023 e é músico.

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