A Samarco abriu os números do primeiro trimestre de 2026 em live com investidores nesta sexta-feira (8/5) e o principal dado foi direto: 3,8 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro produzidas entre janeiro e março, crescimento de 18% sobre o mesmo período de 2025. O resultado confirma que a retomada operacional da empresa deixou a fase de recuperação e entrou numa de consolidação — com um novo patamar de produção que a companhia descreve como estrutural.
Para o Espírito Santo, os números têm peso específico. O Complexo de Ubu, em Anchieta, é a ponta capixaba da operação integrada da Samarco — onde o minério processado em Germano (MG) chega por mineroduto para ser pelotizado e embarcado. E é em Ubu que parte dos R$ 13,8 bilhões previstos para o Momento 3 será investida, na fase que deve levar a empresa de 60% para 100% da capacidade produtiva instalada a partir de 2028.
Os números do trimestre em perspectiva
As vendas do 1T26 totalizaram 3,2 milhões de toneladas — alta de 12% sobre o primeiro trimestre de 2025. O desempenho reflete uma normalização após um quarto trimestre de 2025 excepcionalmente forte, quando a empresa antecipou embarques relevantes. Na prática, o ritmo de 12% de crescimento anual nas vendas, com produção subindo 18%, indica que a Samarco está construindo estoque de produto para sustentar crescimento futuro — postura coerente com uma empresa em processo de expansão de capacidade.
O preço médio realizado de pelotas foi de US$ 130,3 por tonelada no 1T26, avanço de 2% sobre o 4T25, mas ainda pressionado na comparação anual — reflexo da volatilidade do mercado global de minério de ferro, onde a demanda chinesa e o cenário de tarifas seguem como variáveis de incerteza.
“Os resultados do primeiro trimestre mostram a consolidação de um novo patamar de produção, com mais estabilidade e previsibilidade. Seguimos avançando com disciplina e segurança na execução da nossa estratégia, fortalecendo a eficiência operacional e a capacidade de atendimento ao mercado.” — Rodrigo Vilela, presidente da Samarco
2025 como base: US$ 1,9 bilhão em receita, EBITDA de US$ 1,1 bilhão
Os resultados do 1T26 se apoiam sobre uma base sólida construída ao longo de 2025. No ano passado, a Samarco registrou produção de 15,1 milhões de toneladas, vendas de 15,9 milhões de toneladas, receita líquida de US$ 1,9 bilhão e EBITDA ajustado de US$ 1,1 bilhão. São indicadores que mostram uma empresa gerando caixa em volume relevante — condição necessária para financiar, ao menos parcialmente, a expansão prevista no Momento 3.
“Em um ambiente global desafiador, tivemos um trimestre consistente, com crescimento relevante em relação ao ano anterior e uma normalização saudável após um quarto trimestre excepcionalmente forte. A evolução sequencial dos preços, mesmo com a alta volatilidade no curto prazo, reforça o equilíbrio entre produção, vendas e condições comerciais.” — Gustavo Selayzim, diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da Samarco
R$ 13,8 bilhões e a meta de 100% em 2028
O Momento 3 é o capítulo mais ambicioso da retomada da Samarco. O investimento de R$ 13,8 bilhões prevê a reativação de ativos no Complexo de Germano, em Minas Gerais, e no Complexo de Ubu, no Espírito Santo, com previsão de atingir 100% da capacidade produtiva instalada a partir de 2028. Um ponto estratégico do plano é tecnológico: toda a disposição de rejeitos será feita sem uso de barragens — compromisso assumido após Mariana (2015) e que a empresa reforça como diferencial de sustentabilidade e segurança operacional.
A conformidade com os requisitos de segurança de barragem foi mantida em 100% no 1T26, com adesão ao Padrão Global da Indústria sobre Gerenciamento de Rejeitos — protocolo internacional que passou a ser referência obrigatória no setor após os desastres de Mariana e Brumadinho.
O que o crescimento da Samarco significa para o ES
Cada ponto percentual de aumento na produção da Samarco tem reflexo direto na economia capixaba: em empregos no Complexo de Ubu e na cadeia de fornecedores de Anchieta e região, em volume de embarques pelo porto, em arrecadação de ICMS e royalties para o estado. A retomada a 100% da capacidade em 2028 representaria, em termos práticos, uma das maiores expansões industriais em curso no Espírito Santo — e um dos maiores investimentos privados na infraestrutura produtiva capixaba da década.









