O turismo cultural se consolidou, em 2025, como um dos principais motores da economia do Espírito Santo. Levantamento inédito sobre o perfil dos turistas nos principais eventos culturais do Estado mostra que festivais, celebrações religiosas e eventos musicais não apenas ampliaram o fluxo de visitantes, como também elevaram o gasto médio, a permanência e o impacto econômico sobre comércio, serviços e hospedagem.
O estudo foi elaborado pelo Connect Fecomércio-ES, com base em dados do Observatório do Turismo da Secretaria de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur-ES), e analisa o comportamento do público em sete grandes eventos realizados ao longo do ano, entre eles Festa da Penha, Vital, Festival de Forró de Itaúnas, Santa Jazz e Festival de Inverno de Guarapari.
Turismo cultural ganha centralidade na economia capixaba
Os dados confirmam que o turismo cultural deixou de ser apenas um complemento da atividade turística tradicional e passou a ocupar posição estratégica no desenvolvimento econômico estadual. Em 2025, os eventos analisados atraíram públicos distintos — desde turistas de alto poder aquisitivo vindos de outros estados até visitantes regionais e capixabas — ampliando a circulação de renda ao longo do ano e reduzindo a sazonalidade do setor.
Eventos de projeção nacional, como o Vital, o Festival de Inverno de Guarapari e o Festival de Forró de Itaúnas, apresentaram elevada participação de turistas de fora do Espírito Santo, chegando a 73,5% no caso do Vital. Já festividades como a Festa da Penha, a Feira dos Municípios e o Santa Jazz mostraram forte engajamento do público local, com mais de 90% de capixabas em alguns casos, reforçando o turismo interno e a economia regional.
Gasto médio elevado e maior permanência
Um dos principais destaques do levantamento é o impacto direto sobre o consumo. O gasto médio diário dos turistas variou de R$ 177 a R$ 681, dependendo do perfil do evento. O Vital, realizado em Vitória, liderou o ranking, com gasto médio diário de R$ 681, refletindo um público urbano, de alta renda e com consumo intensivo em hospedagem, alimentação e entretenimento.
Já o Festival de Forró de Itaúnas se destacou pelo maior tempo médio de permanência, de 6,2 dias, e pelo maior gasto médio total por visitante, superior a R$ 3,2 mil, o que amplia significativamente o impacto econômico em municípios do litoral norte. Eventos de perfil mais regional, embora com gasto diário menor, apresentaram forte efeito multiplicador local, sustentando o comércio, a gastronomia e os serviços urbanos.
Perfil do visitante favorece consumo qualificado
O estudo revela ainda que grande parte do público dos eventos possui alto nível de escolaridade e renda acima da média nacional. Em festivais como Santa Jazz e Vital, mais de 30% dos participantes declararam renda superior a 10 salários mínimos, e mais de 50% possuem ensino superior completo ou pós-graduação.
Esse perfil se reflete em um consumo mais qualificado, voltado a experiências culturais, gastronomia, lazer e hospedagem diferenciada. A predominância do público jovem-adulto, entre 31 e 40 anos, em eventos como o Vital e Itaúnas, e do público adulto maduro, entre 41 e 60 anos, em Guarapari e Santa Teresa, demonstra a capacidade do calendário cultural capixaba de atender diferentes nichos de mercado.
Impacto regional e fortalecimento do turismo interno
Outro ponto relevante é o papel dos eventos no fortalecimento do turismo interno. Celebrações como a Festa da Penha e a Feira dos Municípios mantêm a maior parte do fluxo de consumo dentro do próprio Estado, estimulando deslocamentos regionais e reforçando a identidade cultural capixaba. Esse movimento contribui para a descentralização do turismo e para a distribuição mais equilibrada da renda entre os municípios.
Perspectiva econômica
Os dados de 2025 indicam que o Espírito Santo construiu um portfólio diversificado de eventos culturais, capaz de atrair turistas de fora, fidelizar o público local e gerar impactos econômicos consistentes ao longo do ano. Para nós, da coluna Economia e Mercado, o recado é claro: investir em eventos culturais não é apenas uma política cultural, mas uma estratégia econômica, com efeitos diretos sobre emprego, arrecadação, sustentabilidade e desenvolvimento regional.
Com base nesse desempenho, o turismo cultural tende a ganhar ainda mais protagonismo na agenda econômica capixaba nos próximos anos, especialmente como instrumento de competitividade, redução da sazonalidade e valorização das identidades locais.









