Após demissões, Casas Bahia terá audiência na Justiça e reunião com sindicato no ES

Em meio às incertezas e dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores demitidos das Casas Bahia no Espírito Santo, representantes da empresa participam, nesta sexta-feira (4), de uma audiência de conciliação na Justiça do Trabalho para discutir a situação dos funcionários desligados no Estado.

A reunião ocorre poucos dias depois do prazo estabelecido pela Justiça para que os trabalhadores demitidos fossem reincluídos na folha de pagamento e tivessem os vínculos empregatícios provisoriamente restabelecidos.

Segundo o Sindicato dos Empregados no Comércio no Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES), a empresa não teria cumprido a determinação judicial. De acordo com a entidade, até o momento, o que teria sido feito foi apenas a liberação do FGTS para os trabalhadores, sem a reinclusão na folha de pagamento e o restabelecimento dos vínculos.

Além da audiência desta sexta-feira, o sindicato também agendou uma reunião com representantes das Casas Bahia para a próxima semana. O objetivo é discutir a situação dos trabalhadores e buscar encaminhamentos diante das demissões e dos valores que ainda estariam pendentes.

Enquanto aguardam uma definição, funcionários e ex-funcionários permanecem apreensivos, principalmente diante da falta de informações sobre pagamentos.

Mais de 100 trabalhadores foram demitidos no ES

Em recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia fechou 298 lojas em todo o país em uma operação realizada entre os dias 13 e 14 de agosto. Milhares de funcionários foram desligados. No Espírito Santo, três lojas foram fechadas e mais de 100 trabalhadores perderam o emprego.

Um dos funcionários, que preferiu não se identificar, contou ao ESHOJE que foi demitido depois de mais de 20 anos trabalhando na empresa. Segundo ele, os trabalhadores foram pegos de surpresa e, além da demissão, enfrentam dificuldades para saber quando e como receberão os valores devidos.

“Fui dispensado em um domingo, por uma mensagem enviada por um robô via Whatsapp. Já se passaram mais de 15 dias e ainda não recebemos nada. Nem recisão, nem as comissões das nossas vendas de agosto. É uma grande falta de respeito a forma como tudo está acontecendo”, desabafou.

Trabalhadores reclamam de falta de comunicação

Outro problema apontado pelos funcionários é a dificuldade para conseguir contato direto com a empresa. Segundo o ex-funcionário, os trabalhadores são direcionados para um número que utiliza inteligência artificial e não consegue responder às situações específicas de cada caso.

“Falta uma comunicação eficaz, faltam muitas respostas. Cortaram a comunicação com a empresa, os nossos superiores não sabem o que dizer, não sabem explicar, ninguém nos dá um prazo para que as coisas sejam resolvidas. Enquanto isso, as contas estão vencendo. Eu ajudava minha mãe, que é cadeirante, e precisa de assistência e agora estamos nessa situação. Não consigo nem sair de casa, as coisas aconteceram de um jeito que afetaram meu psicológico”, relatou emocionado.

O ex-funcionário contou ainda que ele e outros colegas estão em contato com o Sindicomerciários-ES, que vem acompanhando o caso e buscando alternativas para minimizar os impactos das demissões.

Empresa diz que demissões fazem parte de reestruturação

Em nota enviada à imprensa, a Casas Bahia afirmou que as demissões fazem parte de “um amplo processo de reestruturação, necessário para garantir a continuidade e a sustentabilidade do negócio, bem como a preservação dos empregos mantidos”.

A empresa registrou prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre, segundo informações divulgadas nos últimos dias. No pedido de recuperação judicial, o Grupo citou a piora do cenário econômico e os juros elevados, além da restrição ao crédito, do aumento dos custos financeiros e da redução do consumo.

“Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações”, apontou o comunicado da empresa.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio informou que vai acompanhar as decisões judiciais e cobrar os direitos dos trabalhadores.

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