Saber resolver equações ou interpretar textos já não é suficiente para preparar os jovens para a vida adulta. Em meio ao aumento das compras digitais, da oferta de crédito, das apostas on-line e dos golpes financeiros, cresce também o debate sobre a importância da educação financeira nas escolas.
O tema ganhou força recentemente com a aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei 2.979/2023, que altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para incluir a educação financeira como tema transversal nos currículos do ensino fundamental e médio. A proposta ainda precisa passar por outras etapas para entrar em vigor, mas reforça uma discussão que já vem sendo ampliada por escolas, instituições financeiras e educadores.
Para o educador financeiro da Sicredi Serrana, Creiciano Paiva, ensinar crianças e adolescentes a lidar com dinheiro desde cedo pode evitar problemas que costumam aparecer apenas na vida adulta.
“Muitos brasileiros chegam à fase adulta sem nunca terem aprendido conceitos básicos sobre orçamento, planejamento ou consumo consciente. Isso contribui para o endividamento e dificulta a tomada de decisões financeiras”, afirma.
Segundo ele, educação financeira não significa apenas aprender a economizar, mas desenvolver autonomia para fazer escolhas mais conscientes.
“O objetivo é ensinar planejamento, organização, definição de metas e uso responsável do dinheiro. São habilidades que acompanham a pessoa durante toda a vida”, explica.
Aprendizado começa no dia a dia
Para especialistas, o contato com o tema pode começar ainda na infância, por meio de situações simples, como diferenciar necessidade de desejo, acompanhar pequenos gastos e entender a importância de poupar para alcançar objetivos.
Na avaliação de Paiva, esses hábitos ajudam os jovens a desenvolver responsabilidade financeira antes mesmo de ingressarem no mercado de trabalho.
“Quando o estudante aprende desde cedo a organizar seus recursos, ele cria uma relação mais equilibrada com o dinheiro e tende a tomar decisões mais conscientes no futuro”, afirma.
O educador também destaca que a família desempenha um papel importante nesse processo, reforçando em casa os conceitos aprendidos na escola.
Ações no Espírito Santo
No Espírito Santo, instituições também têm promovido iniciativas voltadas ao letramento financeiro de estudantes. Na próxima semana, em alusão ao Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, o educador financeiro da Sicredi Serrana ministrará oficinas e palestras para jovens aprendizes do Senac Serra, estudantes do Colégio Castro Alves, em Cariacica, e adolescentes atendidos pelo Instituto Montanha da Esperança, em Viana.
As atividades abordam temas como organização financeira, consumo consciente e investimentos, especialmente para jovens que estão iniciando a vida profissional e terão contato com o primeiro salário.
Além dessas ações, a cooperativa mantém programas permanentes de educação financeira, como o Cooperação na Ponta do Lápis, voltado para adolescentes e adultos, e o Finanças na Mochila, desenvolvido pela Fundação Sicredi para levar conteúdos sobre finanças ao ambiente escolar. Segundo a instituição, as iniciativas já alcançaram centenas de milhares de crianças e adolescentes em todo o país.










