Petroquímica Braskem pede recuperação extrajudicial no país com dívida superior a R$ 50bi

A petroquímica Braskem fechou um acordo com seus credores e deve entrar com pedido de recuperação extrajudicial ainda nesta segunda-feira (24). A empresa tenta renegociar uma dívida total que passa dos R$ 50 bilhões, pressionada pela queda nos preços do setor petroquímico global e pelos prejuízos do desastre ambiental que provocou o afundamento do solo em Maceió (AL).

A recuperação extrajudicial é uma medida em que a empresa propõe aos credores um plano de reestruturação de suas dívidas diretamente no mercado, buscando a aprovação da Justiça para evitar a falência ou uma recuperação judicial formal.

O movimento ocorre em um momento em que a alavancagem financeira da Braskem — índice que mede o nível de endividamento em relação à capacidade de geração de caixa — atingiu 14,7 vezes o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). O número está bem acima do padrão considerado seguro pelo mercado.

Como a Braskem chegou à crise

A combinação de gargalos financeiros, disputas corporativas e um grave passivo ambiental explica a situação atual da companhia:

  • O desastre de Maceió: Desde 2018, a extração de sal-gema nas minas da empresa causou o afundamento de solo em diversos bairros da capital alagoana, forçando o desocupamento de mais de 60 mil pessoas. Em 2023, o rompimento de uma das minas abriu uma cratera na região. As indenizações já somam bilhões de reais em acordos.

  • Crise da ex-controladora: A Braskem nasceu da consolidação dos ativos de química da antiga Odebrecht (hoje Novonor). A derrocada do grupo na Operação Lava Jato travou os investimentos da petroquímica e deu início a uma busca por compradores que durou cerca de dez anos.

  • Complexidade no exterior: A subsidiária mexicana Braskem Idesa enfrentou problemas financeiros e deu entrada em um processo de recuperação equivalente nos Estados Unidos (o chamado Chapter 11), demandando aportes financeiros da matriz brasileira.

  • Mercado desfavorável: Nos últimos dois anos, a oferta global de produtos petroquímicos superou a demanda, derrubando os preços e afetando a margem de lucro da empresa no Brasil.

Recentemente, a gestora IG4 assumiu a maior parte do controle votante da Novonor no negócio. A chegada do novo parceiro e a negociação com os credores buscam estabilizar a operação e permitir a continuidade das atividades da companhia. (com informações da Folhapress)

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