Receita dos municípios capixabas cresce 3,3% em 2025, mas desacelera, aponta anuário

A receita total dos 78 municípios do Espírito Santo alcançou R$ 27,91 bilhões em 2025, um crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior. Embora o resultado mantenha a trajetória de alta da arrecadação, ele confirma um processo de desaceleração observado nos últimos anos, segundo a 32ª edição do anuário Finanças dos Municípios Capixabas, elaborado pela Aequus Consultoria.

De acordo com o levantamento, o avanço mais moderado ocorre após um crescimento de 11,6% registrado em 2022. A principal explicação para o desempenho de 2025 foi a forte redução nas receitas de capital, especialmente dos recursos obtidos por meio de operações de crédito, cenário comum em primeiros anos de mandato municipal.

Enquanto as receitas correntes, responsáveis pelo custeio da máquina pública, cresceram 5,8% e somaram R$ 26,28 bilhões, as receitas de capital recuaram 25,7%, encerrando o ano em R$ 1,63 bilhão. O principal impacto veio da queda nas operações de crédito, que passaram de R$ 845,2 milhões em 2024 para R$ 190 milhões em 2025.

Arrecadação própria mantém crescimento

A arrecadação tributária própria dos municípios também continuou em alta, embora em ritmo menor. Em 2025, ela totalizou R$ 5,54 bilhões, crescimento de 5,7%, após três anos consecutivos de expansão acima de dois dígitos.

O Imposto sobre Serviços (ISS), principal tributo municipal e responsável por 54,9% da arrecadação própria, movimentou R$ 3,04 bilhões, alta de 5,6%. Segundo o anuário, o desempenho acompanha a perda de ritmo do setor de serviços no Espírito Santo, que, de acordo com dados do IBGE, passou de um crescimento de 6,2% em 2024 para 1,2% em 2025.

O IPTU também apresentou avanço, com arrecadação de R$ 757,4 milhões, alta de 7,6%. Dos 78 municípios capixabas, 61 registraram aumento na arrecadação do tributo.

No ranking estadual, Vila Velha permaneceu na liderança, com R$ 166,7 milhões arrecadados e crescimento de 9,6%. Já a Serra arrecadou R$ 135,4 milhões, alta de 12,4%, ultrapassando Vitória e assumindo a segunda colocação.

Outro destaque foi o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que alcançou o maior valor da série histórica, com R$ 441,3 milhões, crescimento de 7,2%, mesmo em um cenário de juros elevados.

Transferências também avançam

Entre as principais transferências constitucionais, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) somou R$ 3,5 bilhões para as cidades capixabas, crescimento de 7,3%, acima da média nacional, de 6,5%.

Já a quota-parte municipal do ICMS alcançou R$ 4,5 bilhões, alta de 3,4%, refletindo o menor ritmo da economia brasileira. Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 2,3%, abaixo dos 3,4% registrados em 2024.

Para o economista Alberto Borges, editor do anuário, os números indicam um cenário de normalização da arrecadação.

“O resultado de 2025 confirma que a arrecadação dos municípios capixabas segue crescendo, ainda que em ritmo mais moderado, acompanhando o menor dinamismo da economia nacional. É um cenário de normalização, não de retração”, afirma.

Fundeb mantém saldo positivo

O levantamento mostra ainda que os municípios do Espírito Santo registraram saldo positivo de R$ 2,65 bilhões no Fundeb, equivalente a 10,1% da receita corrente. O resultado corresponde à diferença entre os R$ 4,7 bilhões recebidos do fundo e os R$ 2,05 bilhões destinados à sua formação.

A 32ª edição do anuário Finanças dos Municípios Capixabas foi elaborada com base nas prestações de contas dos 78 municípios enviadas ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), da Secretaria do Tesouro Nacional.

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