Reconhecido pela produção de café conilon de qualidade, o município de Alto Rio Novo deu mais um passo na diversificação da agricultura familiar com a entrega de 2,5 mil mudas de cacau e abacate realizada nesta quinta-feira (2). A iniciativa faz parte do Projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), que busca ampliar as alternativas de produção e fortalecer a geração de renda no campo.
A distribuição das mudas aconteceu na Câmara Municipal e reuniu agricultores, moradores, lideranças políticas e representantes do projeto. Esta é a segunda entrega realizada no município em menos de dois meses, dando continuidade ao trabalho de incentivo à diversificação das culturas agrícolas.
Além do fornecimento de mudas, o Projeto Arranjos Produtivos oferece assistência técnica, capacitação aos produtores e apoio para a implantação de novas atividades agrícolas, com foco no fortalecimento da agricultura familiar e no desenvolvimento econômico dos municípios participantes.
Durante o evento, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Santos (União), destacou a meta de ampliar o alcance da iniciativa em parceria com o Governo do Estado e as prefeituras capixabas.
“É o município que tem que nos demandar e ajudar a mobilizar os produtores. E quando temos essa parceria, o projeto se coloca de pé, com uma solidez muito grande, como acontece aqui. É esse modelo que pretendemos transformar em política de Estado”, afirmou.
Segundo dados do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 97% dos estabelecimentos rurais de Alto Rio Novo pertencem à agricultura familiar, característica que faz do município um dos principais públicos atendidos pela iniciativa.
A produtora Devaci Maria Verly está entre os agricultores beneficiados. Após receber mudas em uma etapa anterior do projeto, ela voltou a ser contemplada nesta nova entrega e pretende ampliar a produção integrada ao cultivo de café especial.
“Eu mexo com café especial e agora nós estamos agregando o cacau também dentro das lavouras. Nós já plantamos as 300 mudas que recebemos no passado. Agora vou plantar essas novas e, em breve, espero não só colher o cacau, como também processar as amêndoas e fazer o chocolate”, disse.
O técnico local do projeto, Junior José da Silva, explicou que a escolha das novas culturas foi feita pelos próprios agricultores, buscando ampliar as oportunidades de renda ao longo do ano.
“A importância do nosso projeto hoje é trazer isso, diversidade, para o pequeno produtor conseguir ter uma renda o ano todo. Os produtores, nas reuniões anteriores que tivemos, escolheram o cacau e o abacate e o Arranjos deu essa possibilidade de todos se juntarem e vencerem as dificuldades”, afirmou.
A deputada Raquel Lessa (PP), representante da região, destacou que a dependência da economia local em relação ao café torna importante o incentivo a novas atividades agrícolas.
“É importante que eles tenham informações e acesso a ferramentas para investirem em outras fontes de renda. Aqui quase todas as propriedades plantam café e quando o preço cai, a economia toda vai mal. Agora estamos tendo a oportunidade de equilibrar isso”, declarou.
Além do cacau, o cultivo do abacate foi escolhido pelos produtores como estratégia para ampliar a produção de azeite da fruta, atividade que já vem sendo desenvolvida no município como alternativa para agregar valor à produção.
De acordo com a secretária da Casa dos Municípios da Ales, Joelma Costalonga, a produção de azeite aproveita frutos que não atendem ao padrão exigido para exportação, aumentando o aproveitamento da colheita e abrindo novas oportunidades de mercado para as famílias rurais.
“A extração do azeite tem sido uma estratégia para aproveitar abacates que perdem o padrão comercial de exportação. Aumentar a produção traz boas perspectivas de mercado para as famílias”, destacou.










