Julho é tradicionalmente o mês das férias escolares e também um dos períodos de maior movimentação do turismo no Brasil. Neste ano, a procura por hospedagens para o recesso cresceu 40% em relação ao mesmo período de 2025, segundo levantamento da Decolar. Mas, enquanto as viagens duram apenas alguns dias, os gastos sem planejamento podem pesar no orçamento por vários meses.
O alerta ganha ainda mais importância diante do cenário de endividamento das famílias brasileiras. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 81,6% das famílias têm algum tipo de dívida, o maior índice da série histórica. Além disso, 29,9% estão com contas em atraso.
Para o educador financeiro da Sicredi Serrana, Creiciano Paiva, um dos erros mais frequentes é considerar a viagem como um gasto extraordinário, sem incluí-la no planejamento financeiro anual.
“Viajar é um investimento em qualidade de vida e convivência familiar, mas isso não significa abrir mão da responsabilidade financeira. Quando a viagem é feita sem planejamento, ela deixa de ser um momento de descanso e se transforma em uma fonte de preocupação na volta para casa”, afirma.
Defina quanto pode gastar
Segundo o especialista, o planejamento deve começar antes mesmo da escolha do destino.
“É melhor adaptar a viagem ao orçamento do que adaptar o orçamento às dívidas depois das férias. Muitas pessoas olham apenas para o valor da parcela e esquecem que ela vai competir com outras despesas fixas dos meses seguintes”, explica.
Outro ponto importante é calcular todos os custos da viagem, incluindo despesas que costumam passar despercebidas, como alimentação, pedágios, estacionamento, transporte por aplicativo, ingressos e compras de última hora.
“A hospedagem e as passagens normalmente recebem toda a atenção, mas são os pequenos gastos do dia a dia que acabam estourando o orçamento. Ter uma reserva para essas despesas evita surpresas”, destaca.
Nem toda viagem precisa ser longa
Para quem não conseguiu economizar com antecedência, a recomendação é buscar alternativas mais econômicas, como passeios próximos de casa, viagens curtas ou atrações na própria cidade.
Segundo Paiva, o mais importante é aproveitar o período de descanso sem comprometer a saúde financeira da família.
Segundo semestre exige atenção
Além das férias, julho marca a metade do ano, período considerado estratégico para revisar as finanças antes das despesas típicas do segundo semestre, como Dia das Crianças, Black Friday, Natal, impostos e material escolar.
“As decisões tomadas agora impactam diretamente o restante do ano. Quem volta das férias com dívidas terá menos capacidade para lidar com os compromissos financeiros que ainda estão por vir. Planejamento é o que permite aproveitar o presente sem comprometer o futuro”, conclui.










