O Espírito Santo registrou o maior crescimento da produção industrial do país em 2026 e liderou o ranking nacional em três das quatro bases de comparação da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho foi impulsionado, principalmente, pela indústria extrativa e pela metalurgia.
Os dados, compilados pelo Observatório Findes, mostram que a produção industrial capixaba cresceu 21,9% entre janeiro e maio, na comparação com o mesmo período de 2025. No Brasil, a alta foi de 1,4%.
Produção industrial do ES supera média nacional
Na comparação entre maio de 2026 e o mesmo mês do ano passado, a indústria do Espírito Santo avançou 10,8%, enquanto a média nacional registrou crescimento de apenas 0,2%.
Já no acumulado dos últimos 12 meses até maio, a produção industrial capixaba apresentou alta de 20,6%, contra 0,4% da indústria brasileira.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, o resultado demonstra a consolidação do crescimento da atividade industrial no Estado.
“O desempenho reforça o papel da indústria como principal vetor do desenvolvimento econômico capixaba, impulsionado pelo fortalecimento de setores estratégicos, pelo aumento dos investimentos e pela geração de emprego, renda e competitividade”, afirmou.
Indústria extrativa impulsiona crescimento
O principal destaque foi a indústria extrativa, que cresceu 34,5% entre janeiro e maio.
O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de:
- Petróleo;
- Gás natural;
- Pelotas de minério de ferro.
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de petróleo no Espírito Santo alcançou 265,1 mil barris por dia em maio, um crescimento de 47,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já a produção média de gás natural chegou a 7,6 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 65,6%.
No acumulado do ano, a produção média foi de 6,9 milhões de metros cúbicos diários, avanço de 75,8% frente ao mesmo período de 2025.
Maria Quitéria e campo de Wahoo impulsionam produção
A gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da entidade, Marília Silva, atribui o desempenho à retomada operacional de importantes ativos do setor.
Segundo ela, o crescimento reflete principalmente o aumento da produção do FPSO Maria Quitéria e do campo de Wahoo, que ampliaram a capacidade produtiva do Espírito Santo.
Em maio, o navio-plataforma Maria Quitéria produziu 71,6 mil barris de petróleo por dia, o equivalente a 72% da capacidade instalada, além de 2,8 milhões de metros cúbicos diários de gás natural.
Já o campo de Wahoo segue ampliando sua produção e deve atingir cerca de 40 mil barris por dia após a entrada em operação do quarto poço produtor.
Metalurgia também contribui para resultado
Além da indústria extrativa, a metalurgia foi outro setor que apresentou desempenho positivo.
Entre janeiro e maio, o segmento cresceu 1,6%, impulsionado pelo aumento da produção de ferro-gusa e bobinas a quente de aço carbono.
Para Marília Silva, parte desse avanço está relacionada às medidas de defesa comercial adotadas pelo Brasil para fortalecer a indústria siderúrgica nacional.
Segundo dados do Instituto Aço Brasil, em maio houve crescimento da produção nacional de:
- Aço bruto (+2,4%);
- Laminados (+0,7%);
- Semiacabados (+15,7%).
No mesmo período, as importações de produtos siderúrgicos caíram 55,4% na comparação anual.
Indústria segue como motor da economia capixaba
Com o desempenho acima da média nacional, o Espírito Santo mantém posição de destaque na atividade industrial brasileira em 2026. Para a Findes, o crescimento reforça a importância dos setores de petróleo, gás, mineração e metalurgia para a economia capixaba e para a geração de empregos e investimentos no Estado.










