Os municípios do Espírito Santo registraram uma redução na despesa total e, simultaneamente, avançaram nos indicadores de saúde fiscal durante o primeiro ano de mandato das atuais gestões municipais, em 2025. É o que revela a 32ª edição do anuário Finanças dos Municípios Capixabas, produzido pela Aequus Consultoria. O levantamento aponta que a despesa consolidada somou R$ 26,03 bilhões, montante 3,6% menor do que o apurado em 2024, consolidando um cenário de maior cautela fiscal na administração pública do ES.
Custeio em queda e controle na despesa com pessoal
O ajuste fiscal das prefeituras capixabas foi impulsionado pelo recuo de 1,9% nos gastos com custeio administrativo, gerando uma economia de R$ 220,3 milhões e totalizando R$ 11,15 bilhões. O indicador interrompe uma trajetória de expansão acentuada, que havia acumulado 55,4% de alta entre 2021 e 2024.
Por outro lado, as despesas com pessoal registraram elevação de 5%, alcançando R$ 10,97 bilhões (um acréscimo nominal de R$ 522,1 milhões). Apesar do avanço, o ritmo de crescimento da folha salarial dos servidores públicos foi inferior à média dos três anos anteriores. Os encargos com juros e amortizações de dívidas subiram 8,4%, totalizando R$ 606,2 milhões, mantendo-se como o menor peso no balanço geral.
De acordo com o relatório técnico, baseado nas prestações de contas enviadas ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), do Tesouro Nacional, nenhuma das 78 prefeituras capixabas ou suas respectivas câmaras municipais descumpriu os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no período avaliado.
“Os números mostram um movimento típico de início de gestão, com ajuste nas contas, mais cautela nos gastos e, como resultado, uma melhora consistente nos indicadores fiscais. O Espírito Santo confirma, mais uma vez, que seus municípios estão entre os mais bem avaliados do país”, explica Tânia Villela, economista e editora do anuário.
Espírito Santo sobe na nota Capag do Tesouro Nacional
Como reflexo direto do corte de gastos, o percentual de cidades capixabas com notas A ou B na classificação da Capacidade de Pagamento (Capag) — índice oficial da Secretaria do Tesouro Nacional — saltou de 62% para 81%. O desempenho posiciona o Espírito Santo na sexta colocação do ranking nacional de responsabilidade fiscal, superando a média nacional (54%) e o índice consolidado da região Sudeste (49%).
No topo do ranking nacional de eficiência fiscal, estados do Sul e do Centro-Oeste lideram os indicadores, seguidos de perto pela estrutura administrativa capixaba.
| Posição | Estado | % de Municípios com Nota A ou B (Capag) |
| 1º | Santa Catarina | 88% |
| 2º | Rondônia | 86% |
| 3º | Rio Grande do Sul | 84% |
| 4º | Mato Grosso do Sul | 84% |
| 5º | Mato Grosso | 82% |
| 6º | Espírito Santo | 81% |
| 7º | Paraná | 78% |
| – | Média Nacional dos Municípios | 54% |
| 9º | Minas Gerais | 55% |
| 13º | São Paulo | 38% |
| 14º | Rio de Janeiro | 38% |










