O governador Ricardo Ferraço assinou, nesta segunda-feira (4), o decreto que institui o ParkLog Sul Capixaba, programa estadual voltado à estruturação de um novo eixo de desenvolvimento econômico no sul do Espírito Santo. A iniciativa prevê a integração entre logística, indústria, energia e comércio exterior, seguindo modelo já implementado no norte do estado e estabelecendo bases para um planejamento de longo prazo com foco na ampliação da competitividade regional.
O projeto contempla a articulação de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, tendo como principais vetores os portos de Ubu, em Anchieta, e Porto Central, em Presidente Kennedy, além do Aeroporto de Cachoeiro de Itapemirim. A proposta inclui ainda a conexão com obras estruturantes, como a Ferrovia EF-118 e a ampliação da BR-101, formando um tripé logístico considerado estratégico para fortalecer a posição do Espírito Santo nos mercados nacional e internacional.
Entre os pilares do programa está o potencial energético da região, especialmente no segmento de energia eólica offshore, com capacidade projetada para ampliar em mais de 50% a geração de energia elétrica no estado. A iniciativa também prevê a expansão das redes de energia e telecomunicações, a criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), o fortalecimento do comércio exterior, o desenvolvimento do turismo de negócios e a capacitação da mão de obra local.
Segundo o governo, o planejamento foi estruturado em parceria com instituições públicas e privadas e será organizado em quatro frentes: definição do modelo de plataforma logística, levantamento de ativos e necessidades, elaboração do masterplan das retroáreas e construção de um plano de ação com monitoramento e governança.
Ao destacar a iniciativa, Ricardo Ferraço afirmou que o programa busca replicar, no sul do estado, resultados obtidos anteriormente com planejamento estratégico em outras regiões. “Um Espírito Santo conectado, inovador e eficiente passa pela nossa capacidade de planejar o futuro. O que fizemos no ParkLog de Aracruz mostra isso: o planejamento nos permitiu atrair investimentos importantes, como a fábrica da GWM, da China. Agora, no sul capixaba, o objetivo é organizar e integrar os ativos já existentes, potencializando a capacidade da região de gerar desenvolvimento, emprego e renda. Temos muito potencial, mas ele precisa de direção e escala”, declarou.
Ferraço também ressaltou a necessidade de acelerar a execução do projeto, mesmo diante de diferenças regionais nos incentivos econômicos. “O Sul não conta com os mesmos incentivos do Norte, mas não podemos ficar parados. Temos oportunidades concretas e precisamos dar velocidade a esse projeto, com planejamento, parceria e presença do Estado”, afirmou.
A coordenação do programa ficará sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), que também instituirá um Comitê Executivo para acompanhar os estudos técnicos. O grupo contará com representantes do Instituto Capixaba de Transporte e Logística (ICTL), da Federação das Empresas de Transportes do Espírito Santo (Fetransportes), além de empresas como Porto Central, Samarco e a organização ES em Ação.
O secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume, destacou que o programa surge em um momento de reorganização estratégica da economia capixaba e enfatizou o alcance geográfico da região. “Estamos estruturando um ambiente mais eficiente para novos investimentos, conectando ativos existentes com planejamento e infraestrutura. O ParkLog Sul Capixaba vai contribuir para reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade e gerar emprego e renda”, afirmou.
Salume também ressaltou a localização estratégica do sul do estado para a distribuição nacional. “Cerca de 70% do PIB brasileiro está a até 1.200 quilômetros de distância. Isso é muito relevante do ponto de vista logístico, permitindo entregas em prazos de 24 a 48 horas”, explicou.
Com dois grandes empreendimentos portuários — um em operação e em expansão e outro prestes a iniciar atividades —, o sul capixaba passa a ser tratado pelo governo como uma nova fronteira logística, industrial e energética, com potencial para consolidar o Espírito Santo como um dos principais hubs de infraestrutura e comércio exterior do país.









