O Espírito Santo e o Brasil podem se beneficiar das mudanças no cenário geopolítico mundial. A avaliação é do cientista político Heni Ozi Cukier, o professor HOC, que afirmou que o país ocupa hoje uma posição estratégica diante das tensões internacionais e da reorganização da economia global.
A análise foi apresentada durante o evento “Inovações e tendências no varejo”, promovido pelo Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, realizado na última terça-feira (3), no Hotel Senac Ilha do Boi, em Vitória. O encontro reuniu empresários, dirigentes sindicais e especialistas para discutir os impactos das transformações globais sobre os negócios.
Segundo HOC, conflitos e disputas comerciais, como a rivalidade entre Estados Unidos e China e as recentes tensões no Oriente Médio, estão redesenhando as cadeias produtivas mundiais e podem abrir novas oportunidades para países considerados estáveis.
“Geograficamente, o Brasil é o país mais isolado do mundo e, dentro desse cenário geopolítico atual, isso é maravilhoso. Se tivermos um cenário de conflito cada vez maior, nós estamos protegidos fisicamente”, afirmou.
De acordo com o especialista, a combinação entre território, mercado consumidor e posição geográfica coloca o país em um lugar privilegiado no novo arranjo econômico internacional.
“Estamos em um lugar com tamanho, população e mercado privilegiados. Ao mesmo tempo em que estamos longe dos problemas, passamos a nos tornar estratégicos para muita gente”, disse.
HOC também destacou que o país pode ganhar relevância com a reorganização da cadeia global de valor.
“China, Estados Unidos e Europa olharam para o Brasil e o colocaram como centro de gravidade. Isso cria uma oportunidade única, que aparece a cada cem anos”, afirmou.
Tendências globais e inovação no varejo
O evento também discutiu tendências do varejo internacional. O estrategista de inovação e inteligência artificial André Magno, representante da Fecomércio-ES na Câmara Brasileira de Tecnologia da Informação e Inovação da Confederação Nacional do Comércio (CNC), apresentou insights da NRF Retail’s Big Show, considerada a maior feira de varejo do mundo.
Ele citou exemplos de empresas que vêm inovando com produção ágil e logística em tempo real, como a Fanatics, gigante global de licenciamento esportivo.
“Após um jogo decisivo, a empresa identifica a oportunidade e lança rapidamente um novo produto relacionado ao evento, com entrega quase imediata”, explicou.
Magno também destacou o papel crescente da inteligência artificial nas vendas.
“As IAs não recomendam produtos nos quais não confiam. Se dados como preço e estoque não forem confiáveis, a IA não indica seu produto nas buscas”, afirmou.
Mercado de trabalho no Espírito Santo
Outro destaque do encontro foi a apresentação de um levantamento inédito sobre o mercado de trabalho no Espírito Santo, realizado pelo Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.
O estudo analisou cinco grandes áreas consideradas “economias do futuro”: economia verde, criativa, digital, do turismo e do cuidado.
Entre elas, a economia digital apresentou o maior crescimento no Estado.
De acordo com o coordenador do observatório, André Spalenza, entre 2016 e 2024 o número de empregos formais no setor cresceu 75%, chegando a 10.222 vínculos em 2024.
Além da expansão, as ocupações ligadas à tecnologia apresentam remuneração média elevada, que alcançou R$ 6.533.
“Funções ligadas à tecnologia da informação, desenvolvimento de sistemas, programação e gestão digital lideram esse avanço”, explicou.
Relatório de gestão
Durante o evento também foi apresentado o Relatório de Gestão do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, que reúne os resultados das ações desenvolvidas pela entidade.
O presidente da Fecomércio-ES, Idalberto Moro, destacou a importância da prestação de contas e do debate sobre o futuro do comércio.
“O relatório é essencial para vermos os avanços na economia, na área social, na educação e no turismo, segmentos que nossa entidade tem como missão promover”, afirmou.
Segundo Moro, discutir inovação e cenário econômico é fundamental para que os empresários acompanhem as rápidas transformações do mercado.
“Há novas formas de trabalhar, comercializar e atender o consumidor. Precisamos nos reinventar constantemente”, disse.









