Na manhã desta quinta-feira (26), mais de 500 servidores ocuparam o Ginásio do Centro Sindical dos Bancários para discutir a contraproposta do governo sobre a reestruturação das carreiras. O clima foi de união e conquista: sem nenhum voto contrário e apenas dez abstenções, a proposta foi aprovada.
A reestruturação prevê reposição de perdas de 8% linear para cargos de nível médio e superior, e de 18% para o nível técnico.
Apesar do avanço, os servidores destacaram pontos que ainda precisam ser enfrentados: a valorização dos Agentes de Suporte Educacional (ASEs), que ficaram de fora; a inclusão dos técnicos administrativos; e a defesa da retroatividade a janeiro de 2026.
Em sua fala, a presidenta Renata Setúbal ressaltou a dimensão da conquista: “Depois de 11 meses de luta e resistência, de 30 dias de greve, conseguimos romper a barreira do governo do Espírito Santo. Nossa vitória é do tamanho da nossa luta. Se tivéssemos 50%, 60%, 70% dos 3.800 servidores parados, teríamos parado o Estado e conquistado ainda mais. Não foi por falta de diálogo: percorri secretarias e autarquias, conversando olho no olho. Por isso, reforço minha admiração e respeito aos que estiveram unidos e firmes na luta conosco.”
A contraproposta foi apresentada pelo vice-governador Ricardo Ferraço na quarta-feira (25), em reunião com a diretoria do Sindipúblicos. O reajuste linear de 8% contempla todas as carreiras, e os profissionais de nível médio-técnico passam a receber 56% da remuneração do nível superior, reduzindo a diferença entre categorias. O governo, entretanto, manteve os ASEs fora da proposta e reafirmou limitações quanto ao uso do Fundeb. Os reajustes seriam concedidos a partir de abril de 2026 e não se confundem com o Reajuste Geral Anual, ainda em estudo.
Mesmo diante das restrições, a diretoria garantiu a continuidade das negociações para valorização dos ASEs.
Renata Setúbal reforçou que o avanço precisa ser acompanhado de novas conquistas:
“Reconhecemos que houve avanço, mas precisamos garantir que outras demandas, que serão discutidas em nosso próximo Congresso, também sejam analisadas pelo Executivo.”
A importância da manutenção da união e mobilização foi destacada pelos servidores que avaliaram que a aprovação da proposta de reestruturação, que inicialmente chegou a ser negada pelo governador, só foi possível diante da luta da categoria.
“Estamos concluindo uma batalha e já iniciando outras. Em breve vamos convidar uma Assembleia para discutirmos a Campanha Salarial de 2026. Nossa mobilização continua pelas pautas em defesa dos servidores que iremos discutir também em nosso congresso” conclui Renata Setúbal.









