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Carnaval no Espírito Santo deve movimentar R$ 228,7 milhões

O fluxo intenso de foliões e turistas em fevereiro deve vir acompanhado de um impacto expressivo na economia capixaba. Neste ano, o Carnaval no Espírito Santo tem potencial para movimentar R$ 228,7 milhões, sendo um dos períodos mais relevantes para os setores de comércio, serviços e turismo no estado. A projeção representa um crescimento de 3,5% em relação a 2025, quando a movimentação foi estimada em R$ 221 milhões, e aponta para um desempenho acima da média dos últimos 10 anos, que girou em torno de de 2% ao ano.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No cenário nacional, a CNC estima que o Carnaval gere R$ 14,48 bilhões em receitas, crescimento real de 3,8% em relação ao ano anterior, já descontada a inflação. Caso a estimativa se confirme, o resultado deste ano será o melhor da última década no estado e o maior volume registrado desde a pandemia da covid-19.

“O crescimento projetado para o Carnaval no Espírito Santo indica um ambiente mais favorável para o consumo e para a atividade turística, com reflexos diretos na geração de renda e empregos temporários”, avaliou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.

Além do crescimento projetado, um fator estratégico ganha destaque: a realização do Carnaval de Vitória antes do calendário nacional. Ao ocorrer uma semana antes do período oficial, a capital capixaba passa a integrar um circuito ampliado de eventos carnavalescos, atraindo visitantes que buscam estender o período de lazer ou participar de mais de uma programação festiva.

“Essa antecipação reduz a concorrência direta com outros grandes destinos e ajuda a ampliar o fluxo turístico em um momento distinto do pico nacional”, explicou Spalenza.

Do ponto de vista econômico, o efeito se traduz em maior ocupação da rede hoteleira, aumento do consumo em bares, restaurantes e no comércio local, além de maior circulação de pessoas na cidade.

De acordo com o Connect Fecomércio-ES, a movimentação estimada deve se concentrar principalmente em Vitória, Guarapari e outros municípios litorâneos, que tradicionalmente recebem o maior fluxo de turistas no período.

O valor projetado considera, sobretudo, os setores diretamente ligados às atividades típicas do Carnaval, não abrangendo toda a economia estadual. Os maiores volumes de receita devem se concentrar em serviços de alimentação, hospedagem, lazer e cultura, além do transporte rodoviário e aéreo. Do total estimado para o Espírito Santo, cerca de R$ 91,1 milhões devem estar associados aos serviços de alimentação, o equivalente a 39,8% da movimentação, enquanto R$ 22,7 milhões devem vir dos serviços de hospedagem (9,9%).

Outro destaque é a geração de postos de trabalho temporários. A projeção aponta para 704 vagas durante o período carnavalesco, o maior volume de contratações temporárias dos últimos sete anos no estado.

Para Spalenza, o aumento do emprego sinaliza maior confiança dos estabelecimentos na demanda do período e tende a gerar efeitos positivos sobre a renda e a atividade econômica local.

Custos do Carnaval
O Carnaval também se reflete no bolso dos consumidores, que costumam se dividir entre quem permanece em casa, quem participa dos blocos e quem viaja. Na Grande Vitória, a inflação acumulada da cesta de consumo para atividades domiciliares chegou a 4,99% até dezembro de 2025, acima da média nacional (4,26%). A maior pressão veio do grupo bebidas e infusões, com alta de 16,97%, especialmente a cerveja, que acumulou variação de 9,27%.
Já a alimentação dentro de casa apresentou inflação mais moderada (0,78%), inferior à média nacional. Alguns itens, como frutas, tiveram aumento mais expressivo, enquanto pescados registraram deflação, ajudando a aliviar parte do custo para quem opta por comemorar em casa.

Para quem vai aos blocos, os custos também avançaram. A alimentação fora do domicílio acumulou alta de 9,31% na Grande Vitória, acima do Brasil. Lanches, muito consumidos durante as festividades de rua, subiram 14,17%, enquanto refrigerantes e água mineral tiveram alta de 8,05%. O grupo de vestuário registrou aumento de 6,6%, com destaque para joias e bijuterias usadas em fantasias, que encareceram 20,15%.

Entre os foliões que planejam viajar, o grupo de transportes apresentou inflação acumulada de 3,59%, puxada principalmente pelo ônibus intermunicipal, que subiu 12,57%. As passagens aéreas tiveram aumento mais moderado, de 2,91%, e os custos para quem utiliza veículo próprio cresceram 3,6%, influenciados pela gasolina.

Mesmo com o avanço de preços em alguns itens, o cenário geral indica um Carnaval aquecido no Espírito Santo, com impactos positivos sobre o turismo, o comércio e os serviços. “O conjunto de dados mostra que o Carnaval segue como um importante indutor da atividade econômica, capaz de dinamizar diferentes setores e fortalecer o desempenho do estado no início do ano”, concluiu André Spalenza.

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