Com o começo do racionamento na Grande Vitória, as indústrias devem encontrar formas alternativas para conseguir cumprir com os prazos. Um deles é a possibilidade de alterar a carga horária dos funcionários. O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Marcos Guerra, informou que é sim possível que isto aconteça.
“Tudo ainda é muito novo, vamos ter que aprender a conviver com mais esse problema. O racionamento não quer dizer que a indústria vai parar, e ela precisa continuar produzindo. A matéria prima não é a água”.
Guerra ressaltou que a Indústria como um todo vem a três anos passando pela crise econômica, e no momento em que estavam precisando se recuperar, se deparam com a crise hídrica. “Agora vem a crise hídrica, que é um problema sério nós precisamos engajar nesse projeto. Ano passado foi alarmante, esse ano está pior. O Espírito Santo inteiro está todo com problema, é um trabalho de todos. Não temos que buscar culpados nesse momento e sim uma solução”, cobra o presidente.
A Federação, segundo Guerra, tem incentivado as indústrias a reaproveitarem água, e os levantamentos da Findes mostram que elas vêm acatando essa sugestão.
Nesta quarta-feira (21), Guerra participou do encontro da Confederação Nacional das Indústrias – CNI Sustentabilidade, onde foram debatidos os desafios das indústrias para reorientarem os padrões de consumo. “Na CNI, discutimos floresta e biodiversidade, todo mundo ligado o meio ambiente. Lá podemos observar que no ano passado o consumo das indústrias foi de 17%, e que este ano foi para 12%. A Indústria vem fazendo um trabalho de redução de consumo, mas não é só ela que deve fazer isso, é toda a sociedade”, salientou.
Marcos acredita que todo o trabalho que vem sendo feito, ajuda, mas que a sociedade também precisa repensar o modo como se comporta. “Podemos citar um exemplo, de quando as lâmpadas foram trocadas, e todos começaram a usar a de led. Tivemos uma redução de consumo relevante. Será que isso não vale para as pessoas reverem os produtos que tem dentro de casa, dentro das indústrias e comércio, que estão desperdiçando água”, finaliza o presidente da Findes.
Abastecimento das indústrias
A Grande Vitória possui cerca de 578 mil unidades consumidoras, entre residências, comércios, indústrias e órgãos públicos. De acordo com o diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Cesan, Amadeu Weteler, entre os anos de 2014 a 2016, o setor industrial conseguiu manter a redução do consumo em 25%, enquanto as residências conseguiram reduzir apenas 3% de seu consumo.
Porém, desde abril, não houve mais redução significativa. Apesar de empresas possuírem processos e atividades contínuas, isto é, não podendo interromper os trabalhos, a Cesan pode reduzir o fornecimento de água em até 20% por dia, o que no final de semana, seria o mesmo que participar do rodízio.









