Por Rodolpho Paixão
No caminho contrário da crise econômica criada pela pandemia da Covid-19, o mercado da Estética é um oásis de crescimento na economia brasileira. Terceiro país que mais consome cosméticos do mundo, o Brasil – e sobretudo os brasileiros – têm uma relação íntima com a beleza e o bem-estar, que se reflete nos mais de 790 mil estabelecimentos do ramo espalhados por todo o país.
No Espírito Santo esse crescimento também é bastante expressivo e, de acordo com números do Sebrae-ES, os capixabas mais que duplicaram a quantidade de estabelecimentos regularizados no Estado, passando de 12.501 para quase 27 mil empreendimentos. Uma alta de 113,8% no total.
Para uma das responsáveis pela formação profissional no setor, a esteticista e professora Juliana Soeiro, 32, os números não só comprovam nossa preocupação com a autoimagem, como também refletem um dado importante e pouco falado sobre a pandemia de Covid-19, que é a maior dedicação à estética por parte das pessoas.
“A pandemia é um fator de fortalecimento e que explodiu o mercado, trazendo, inclusive, profissionais da área da saúde para a estética. Como as pessoas passaram a ficar mais em casa, começaram a se cuidar mais, já que, no Brasil, a gente entende o autocuidado como um traço da pessoa ser saudável. Então, houve tanto quem se preocupasse mais, como quem se dedicasse ao aprendizado durante esse tempo”, explicou.
É o caso da Ângela Meneghel, técnica esteticista há mais de 28 anos e graduada na área faz dois anos. Com clientes cada vez mais informados sobre a estética e interessados em diferentes serviços, ela decidiu ampliar o leque de atendimento com a graduação e garante que não pretende parar por aí.
“Antes eu indicava muito mais serviços que hoje eu posso realizar, como a drenagem. A ideia é, agora, concluir minha pós-graduação para poder também fazer aplicações de botox, ozônio e outros procedimentos”.
Ângela conta, ainda, que a decisão de seguir se especializando é uma necessidade para todas e todos que decidem pelo ramo e que, em breve, não haverá mais espaço para profissionais sem formação.
“Se você não procura uma especialização, acaba se tornando uma profissional que só passa cremes nas pessoas, e hoje os clientes querem muito mais que isso. É preciso se manter sempre atualizado e, principalmente, seguindo as normas exigidas”.
A esteticista afirma ainda ser necessário denunciar casos de estabelecimentos fora dos padrões sanitários. “É um risco que não se pode correr. Tudo em estética tem que ser esterilizado, higienizado com cuidado, porque mexe diretamente com a saúde das pessoas. Eu, se vejo, denuncio”.
Cursos
Para ficar ciente de todas as exigências sanitárias durante os atendimentos, procedimentos, métodos e até comportamento do mercado, é que cada vez mais pessoas têm se interessado por cursos de capacitação oferecidos por diferentes instituições. No Espírito Santo, quem está à frente da formação de profissionais há anos é o Senac, que oferece, inclusive, cursos gratuitos na área, disponíveis no site.
Ao todo, são oferecidos 380 cursos gratuitos e à distância para todo o país. Entre eles, estão o de design de sobrancelhas e unhas em gel, duas modalidades recentemente em alta no mercado. Para se inscrever é preciso entrar no site e fazer um cadastro simples. As inscrições estão e seguem abertas durante todo o ano.
10 mil negócios abertos desde a pandemia
Atualmente, há um total de 26.729 negócios cadastrados, no Espírito Santo, na base da Receita Federal, como empresas que atuam em Atividades de Estéticas e Outros Serviços de Cuidados com a Beleza (6.952) ou Cabeleireiros, Manicure e Pedicure (19.777).
Desse montante, 25.492 são Microempreendedores Individuais (MEI), 1.165 Micro Empresas (ME) e 72 Empresas de Pequeno Porte (EPP).
Entre os anos de 2019 e 2022, 14.228 pequenos negócios foram abertos, sendo 10.165 como cabeleireiros, manicure e pedicure e 4.063 atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza. Uma média de 4,6 mil novos negócios abertos por ano, nesses últimos quatros anos.
Perfis diversificados, mercado aberto
A esteticista e professora Juliana Soeiro afirma que a maioria das pessoas que procuram os cursos na área da estética, embelezamento e bem-estar ainda são mulherese a faixa etária varia de 12 a 60 anos de idade.
“Acredito que a mulher goste mais de se cuidar, independente da condição social. Apesar de ser massivamente ocupado por mulheres, hoje os homens têm entrado. Vários são os perfis: tem a adolescente para atender as amigas e familiares, tem a trabalhadora informal, mulheres que sempre foram donas de casa”, explica.
Para ela, o público tem se diversificado cada vez mais. “Às vezes gostam de lugares mais sóbrios, formais. Por isso você vê o número grande de barbearias se abrindo. Muitos serviços, antes voltados para o público feminino, agora foram personalizados para o masculino. Existe um ambiente que agrada mais, uma escolha de cosméticos com o cheiro que agrade mais. O mercado abriu”, conclui.









