Completou nesta terça-feira (11) dois meses do assassinato Thiago Simões Nossa, 31 anos, em Guarapari. O crime, já parcialmente elucidado pela Polícia Civil, aconteceu no bairro Aeroporto, dentro do escritório da própria vítima. Para lembrar a data a família do empresário realizou um ato na cidade. Acompanhado de amigos e parentes, a mãe, irmã e a avó de Thiago seguiram em carreata do bairro onde o crime aconteceu até o fórum de Guarapari.
A esposa e os funcionários do empresário não compareceram. A manifestação, segundo Larissa Nossa, irmã da vítima, foi pacífica em busca de respostas do poder Judiciário sobre o caso.

Recentemente, a família instalou um outdoor na Avenida Jones dos Santos Neves, em que também se manifesta pedindo justiça no caso. Cinco pessoas chegaram a ser presas pela execução, inclusive um empresário apontado como o mandante.
Entretanto, por determinação da desembargadora do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Eliana Munhoz, três foram colocados em liberdade.

“Não fizemos muito barulho, mas conseguimos reunir amigos e nossos familiares, com faixas e cartazes. Nossa intenção é mostrar indignação e buscar respostas. Daqui a três dias completa um mês que alguns dos presos pela morte do meu irmão estão soltos, mesmo com a polícia tendo prendido e a Justiça tendo determinado a prisão temporária. Será que eles ficarão soltos?”, questionou Larissa Nossa.
A Polícia Civil apontou o empresário Valdecir Nunes Alves como mandante do crime, mas o mesmo foi solto no dia 28 de dezembro após receber um habeas corpus. Também foram soltos um funcionário de Valdecir e a esposa deste funcionário, apontados como intermediários do crime. Dois acusados de envolvimento na execução estão detidos e um terceiro segue foragido.
Três prisões ocorreram na região de Maxinda e Bela Vista, no mesmo município, e as outras duas prisões foram efetuadas em Eunápolis, na Bahia. A princípio a investigação seguia na linha de latrocínio pela Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), mas, durante as primeiras diligências, começou a ser tratada como homicídio.
“Dois indivíduos invadiram o local de trabalho da vítima, tentaram simular um roubo, mas na verdade estavam cometendo um crime de mando. Eles abordaram, entraram em luta corporal e mataram a vítima”, conta o titular da Divisão de Homicídio e Proteção à Pessoa de Guarapari, delegado Franco Malini.
Viúva: “vivo com medo”
A esposa de Thiago Nossa, Edivani Rosa, 33, não participa dos protestos pelo crime organizados pela família. Segundo ela, há dois meses teme por sua vida e da filha do casal, uma menina de sete anos. Disse que sua vida mudou e ela precisou assumir os negócios do marido.
“Não participei e hoje está sendo um dia complicado. Minha vida mudou nesses dois meses, tive que assumir a empresas, as contas. Não autorizei os funcionários a irem também, porque temos contrato com a prefeitura e não teria como explicar paralisar os serviços por conta disso”, explicou Edivani.
Ainda segundo a viúva, ela sempre teve medo e agora ainda mais. Ela contou que vai esperar a ação da Justiça, mas sem se envolver em manifestações.

O site Realidade Capixaba divulgou que Thiago Nossa vinha recebendo ameaças de morte. O empresário atuava na construção civil em obras públicas ligadas à prefeitura de Guarapari e também ao Serviço Social do Comércio (Sesc). A principal hipótese é de que se trata de uma divergência nos negócios.
O empresário Thiago Nossa prestou depoimento ao Ministério Público estadual (MPES) 30 dias antes de ser assassinado. Thiago era suspeito de participar do esquema de desvio de recursos da prefeitura através das obras que sua empresa realizava no município. Em seu depoimento, Thiago admitiu irregularidades praticadas por outros empresários e que essas irregularidades eram de conhecimento de todos na prefeitura.
Com a morte do empresário, o MPES tem como prova o aparelho celular da vítima contendo gravações de conversas que podem contribuir com a investigação.










