A corrida pelo Governo do Espírito Santo promete ser quente, porém uma parcela relevante do eleitorado ainda não definiu em quem votar. A Pesquisa do Instituto Perfil mostra que 9% dos entrevistados permanecem indecisos e 5,22% não souberam responder, o índice mostra que mais de 14% dos entrevistados ainda não têm um candidato definido.
O levantamento, realizado entre os dias 13 e 16 de abril com 1.800 eleitores em 50 municípios capixabas, aponta o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, na liderança com 35,67% das intenções de voto, seguido pelo vice-governador Ricardo Ferraço, com 23,78%. Na sequência aparecem Magno Malta (12,61%) e Helder Salomão (8,17%). Além dos indecisos e dos que não responderam, outros 5,56% afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo.
Espaço para mudanças no cenário eleitoral
Para a professora do Departamento de Ciências Sociais da Ufes, Mariana Cazé, um índice próximo de 10% ou superior de eleitores sem definição não deve ser tratado como irrelevante em um cenário ainda distante da eleição.
“Na minha avaliação, um índice acima de 14% em uma pesquisa estimulada representa um contingente eleitoral relevante que ainda não consolidou sua escolha. Esse índice significa que um em cada sete eleitores permanece aberto à escuta de propostas e candidaturas que estão sendo colocadas”, afirma.
Nesse contexto, 51,22% dos entrevistados disseram decidir o voto nos últimos dez dias antes da eleição, enquanto 13,94% afirmaram escolher apenas no próprio dia do pleito. Apenas 17,33% disseram se definir na última semana, e 9,72% nos últimos três dias. Dados como esse reforçam a imprevisibilidade do processo eleitoral e segundo a estudiosa, em disputas equilibradas, esse grupo pode redefinir posições e até alterar o resultado do pleito.
Para Mariana, esse comportamento mostra que a reta final tende a ser decisiva. “Se mais da metade dos eleitores afirma definir o voto apenas nos últimos dez dias, fica evidente que a reta final da campanha tem um peso enorme sobre o resultado. Historicamente, eventos de última hora, debates e o corpo a corpo na rua têm forte impacto sobre esse eleitor”, explica.
Ela também destaca o peso das redes sociais, dos debates e da rejeição aos candidatos no momento da decisão. “Hoje, as redes sociais desempenham um papel central na formação da opinião pública e conseguem impactar rapidamente eleitores ainda indecisos. Os debates também ganham relevância porque oferecem comparação direta entre os candidatos em um momento decisivo da campanha”, avalia.
Relato de um eleitor indeciso
Entre os eleitores que ainda não bateram o martelo, o sentimento de frustração com a política aparece como um dos fatores para a hesitação. O eleitor Aurélio Neto, que ainda não definiu o voto, afirma que não se sente representado pelos nomes postos até agora. “Ainda não vi um candidato que acredito ser diferente dos últimos que tivemos”, relata.
Aurélio aponta saúde, educação e segurança como temas decisivos para sua escolha, mas afirma rejeitar candidatos considerados extremos. “Procuro candidatos que realmente acredito que farão diferença, e não qualquer extremo da polarização que temos hoje”, diz.
Na avaliação da cientista política, esse perfil de eleitor tende a permanecer observando o comportamento dos candidatos até perto da votação, comparando propostas e rejeições. “O eleitor que decide no fim geralmente está comparando alternativas. Muitas vezes, as pesquisas de opinião não conseguem capturar esse movimento justamente porque ele ainda está processando a escolha”, conclui.










