Apesar do avanço da Inteligência Artificial (IA) nos processos de recrutamento, o contato humano continua sendo uma preferência entre os candidatos. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo Nube – Estagiários e Aprendizes: 39,63% dos participantes afirmaram que preferem ter contato com um recrutador desde a primeira etapa da seleção.
O levantamento também mostrou que 27,88% avaliam positivamente o uso da IA por considerarem que a tecnologia pode tornar os processos seletivos mais rápidos e justos. Por outro lado, 17,47% disseram ter receio de serem eliminados por um algoritmo.
Entre os demais participantes, 9,45% afirmaram ser indiferentes ao uso da ferramenta, desde que recebam uma resposta rápida sobre o processo. Outros 5,56% disseram aprovar a IA apenas quando ela facilita o preenchimento do currículo.
Tecnologia pode ampliar acesso às vagas
Para Helenice Accioly Resende, psicóloga e gerente de Recrutamento e Seleção do Nube, a preferência pelo contato humano não significa necessariamente uma rejeição à tecnologia.
Segundo ela, etapas como entrevistas por vídeo e testes on-line já apresentavam menor engajamento antes mesmo da popularização da IA, justamente pela menor interação com os recrutadores.
Ao mesmo tempo, a inteligência artificial pode trazer ganhos para empresas e candidatos. Para os recrutadores, a automação das etapas iniciais permite analisar um número maior de participantes em menos tempo e identificar características relacionadas ao perfil técnico e comportamental.
Para quem busca uma oportunidade, a tecnologia também pode ampliar o acesso às vagas ao permitir que mais candidatos sejam avaliados.
Receio de eliminação por algoritmo
O levantamento aponta ainda uma preocupação com a forma como a IA é utilizada nos processos seletivos. Quase um em cada cinco participantes, ou 17,47%, afirmou ter medo de ser eliminado por um algoritmo.
Na avaliação da especialista, a transparência pode ajudar a reduzir essa insegurança. Informar os candidatos sobre quais etapas utilizam inteligência artificial, explicar como a ferramenta participa da avaliação e oferecer retorno sobre o desempenho são medidas que podem tornar o processo mais claro.
A expectativa é que a tecnologia seja utilizada principalmente como apoio nas fases iniciais, enquanto os recrutadores concentrem esforços nas etapas que exigem maior interação.
Contato humano ganha espaço nas etapas finais
Com a automatização de tarefas operacionais, os profissionais de recrutamento podem dedicar mais tempo às fases finais da seleção. Nessa etapa, a conversa permite conhecer melhor a trajetória, as motivações e os objetivos do candidato.
A combinação entre tecnologia e interação humana pode, dessa forma, tornar a avaliação mais ampla. Enquanto a IA ajuda a processar grandes volumes de informações, o recrutador consegue analisar aspectos relacionados ao contexto e à experiência do candidato.
Para os jovens que estão em busca de uma oportunidade, a recomendação do Nube é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de preparação, sem deixar de lado a autenticidade.
A tecnologia pode ajudar, por exemplo, na compreensão dos requisitos de uma vaga, na simulação de entrevistas e na organização de ideias. Durante a seleção, porém, respostas prontas ou geradas integralmente por IA podem dificultar a demonstração das características pessoais do candidato.
Segundo Helenice, em um cenário no qual a ferramenta está disponível para todos, a autenticidade tende a ganhar ainda mais importância como diferencial nos processos seletivos.










