Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.
A opinião dos colunistas é de inteira responsabilidade de cada um deles e não reflete a posição de ES Hoje

O adulto na sala

O conselho de Katia Abreu para a campanha de Lula no segundo turno foi: “mais Alkmin e menos Janja”. As lideranças liberais e de centro que aderiram a Lula em 2022 seguindo a trilha aberta pela presença de Geraldo Alkmin como candidato a vice presidente, foram escanteadas solenemente nos quatro anos do governo petista. Prevaleceu o oportunismo  inaugurado com o discurso da “herança maldita de FHC” que marcou o primeiro governo Lula. Não adianta gritar socorro agora porque ninguém virá acudir.

Todas as atenções se voltam para a campanha de Flávio Bolsonaro que ganhou a expectativa de poder no primeiro turno. Se pudesse traduzir o conselho de Katia Abreu a Lula para a campanha de Flávio eu diria: “mais Rogério Marinho e menos Eduardo Bolsonaro”. Em todos os governos formados depois da redemocratização, desde José Sarney, existiram pessoas com perfil adulto capazes de liderar, decidir e governar e também existiam oportunistas infantis que sempre arriscavam afundar o barco, mesmo com mar calmo. Os influenciadores digitais extremistas foram campeões de voto mas governar é para adultos.

Em 1989, eu morava no Rio de Janeiro, trabalhava no BNDES chefiando o Departamento de Planejamento-DEPLAN. Na eleição presidencial trabalhei na campanha de Mario Covas no primeiro turno e no segundo, o PSDB e o PT fizeram aliança política inclusive costurando na diagonal as bandeiras dos dois partidos para os atos públicos e manifestações da campanha de Lula.

A vitória de Collor e o drama da hiperinflação fizeram com que vários economistas cariocas que haviam participado do Plano Cruzado de José Sarney fossem convidados para o novo governo. Assim, fui convidado a assumir o Departamento de Industria e Comercio-DIC do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento. Junto com o engenheiro Antônio Maciel Neto montamos uma equipe técnica com profissionais do BNDES, da Petrobrás e do Itamaraty que formulou e conduziu reformas importantes no país como a abertura da economia às importações e o fim da reserva de mercado da informática. O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade-PBQP também foi criado neste período como peça central da nova estratégia de integração competitiva do Brasil na economia mundial.

Conheci e trabalhei com grandes profissionais nos dois anos que estive no governo Collor que, mesmo em condições politicas adversas e imensas contradições internas conseguiram fazer muitas coisas boas para o Brasil. O embaixador Marcílio Marques Moreira foi talvez o melhor símbolo de profissional de comportamento adulto e de alto nível deste período.

Estou ansioso para assistir aos debates na televisão neste segundo turno. A julgar pelos vídeos nas redes sociais nestes primeiros dias de campanha não deveremos ter surpresas. Vão prevalecer estratégias de marketing superficiais e de baixo nível voltadas para os algoritmos das redes e para a captura de atenção. Aprendi com meu amigo Arnaldo Castor que tratar o eleitor como burro não é uma boa opção.

Vamos acompanhar o debate e as pesquisas para avaliar de que lado o comportamento adulto tem mais chances de não ser traído pelo oportunismo.

Luiz Paulo Vellozo Lucas
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Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.

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