O conselho de Katia Abreu para a campanha de Lula no segundo turno foi: “mais Alkmin e menos Janja”. As lideranças liberais e de centro que aderiram a Lula em 2022 seguindo a trilha aberta pela presença de Geraldo Alkmin como candidato a vice presidente, foram escanteadas solenemente nos quatro anos do governo petista. Prevaleceu o oportunismo inaugurado com o discurso da “herança maldita de FHC” que marcou o primeiro governo Lula. Não adianta gritar socorro agora porque ninguém virá acudir.
Todas as atenções se voltam para a campanha de Flávio Bolsonaro que ganhou a expectativa de poder no primeiro turno. Se pudesse traduzir o conselho de Katia Abreu a Lula para a campanha de Flávio eu diria: “mais Rogério Marinho e menos Eduardo Bolsonaro”. Em todos os governos formados depois da redemocratização, desde José Sarney, existiram pessoas com perfil adulto capazes de liderar, decidir e governar e também existiam oportunistas infantis que sempre arriscavam afundar o barco, mesmo com mar calmo. Os influenciadores digitais extremistas foram campeões de voto mas governar é para adultos.
Em 1989, eu morava no Rio de Janeiro, trabalhava no BNDES chefiando o Departamento de Planejamento-DEPLAN. Na eleição presidencial trabalhei na campanha de Mario Covas no primeiro turno e no segundo, o PSDB e o PT fizeram aliança política inclusive costurando na diagonal as bandeiras dos dois partidos para os atos públicos e manifestações da campanha de Lula.
A vitória de Collor e o drama da hiperinflação fizeram com que vários economistas cariocas que haviam participado do Plano Cruzado de José Sarney fossem convidados para o novo governo. Assim, fui convidado a assumir o Departamento de Industria e Comercio-DIC do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento. Junto com o engenheiro Antônio Maciel Neto montamos uma equipe técnica com profissionais do BNDES, da Petrobrás e do Itamaraty que formulou e conduziu reformas importantes no país como a abertura da economia às importações e o fim da reserva de mercado da informática. O Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade-PBQP também foi criado neste período como peça central da nova estratégia de integração competitiva do Brasil na economia mundial.
Conheci e trabalhei com grandes profissionais nos dois anos que estive no governo Collor que, mesmo em condições politicas adversas e imensas contradições internas conseguiram fazer muitas coisas boas para o Brasil. O embaixador Marcílio Marques Moreira foi talvez o melhor símbolo de profissional de comportamento adulto e de alto nível deste período.
Estou ansioso para assistir aos debates na televisão neste segundo turno. A julgar pelos vídeos nas redes sociais nestes primeiros dias de campanha não deveremos ter surpresas. Vão prevalecer estratégias de marketing superficiais e de baixo nível voltadas para os algoritmos das redes e para a captura de atenção. Aprendi com meu amigo Arnaldo Castor que tratar o eleitor como burro não é uma boa opção.
Vamos acompanhar o debate e as pesquisas para avaliar de que lado o comportamento adulto tem mais chances de não ser traído pelo oportunismo.









