Em 1994 me filiei ao PSDB e disputei minha primeira eleição para deputado federal empolgado com o Plano Real. Meu slogan de campanha era: “É tempo de qualidade na política”. Lula liderava as pesquisas eleitorais e havia ainda muita descrença com o plano de estabilização proposto por Fernando Henrique Cardoso. O governo capixaba apostou no fracasso do plano e na reindexação da economia, seguindo a orientação dos economistas do PT. Guido Mantega e Aloisio Mercadante estiveram em Vitória defendendo reajustes salariais para o funcionalismo contando com o fracasso do Real. O economista Ricardo Santos, secretário estadual da Fazenda, do PSDB, deixou o governo discordando da orientação que acabou adotada. A crise fiscal aguda que se instalou, em função dos erros cometidos por aqui, durou dez anos.
Bruno Carazza, colunista do Valor Econômico, escritor e professor da Fundação Dom Cabral, publicou no ultimo dia 25 um artigo alertando as elites brasileiras para a importância da qualidade política do Legislativo e para as consequências das péssimas decisões que os políticos horríveis tomam. O economista afirma que o sistema político é perverso e promove uma seleção eleitoral adversa, premiando o comportamento pragmático e predatório na luta pelo poder nas eleições, deixando abandonada a agenda de reformas percebida como sendo impopular. O preço que o país paga é em baixo crescimento econômico, desigualdade social, criminalidade e violência crescente e déficits acumulados em infraestrutura e produtividade.
Na hiperinflação, os agentes econômicos ficam focados em lutar por aumento de seus preços a fim de não perder para a taxa de inflação. Com o Plano Real, não houve congelamento de preços e salários, mas uma conversão negociada, e a orientação do PT foi sempre manter a luta por reajustes acima da inflação passada. Foi o que quebrou o governo capixaba. A vitória de FHC e o sucesso do Plano Real deu a vitória àqueles que compreenderam e apoiaram a mudança de mentalidade e um novo comportamento diante do ambiente de preços livres e estáveis. Um novo ambiente de mercado querendo e lutando para ser saudável. Os que duvidaram e apostaram no fracasso perderam.
Políticos pragmáticos procuram calcular seus interesses eleitorais antes de se posicionar. Não se pode nem deve condenar. O interesse comum é visto muitas vezes como sendo apenas uma abstração, idealismo político ingênuo movido por ideais e convicções que costumam não funcionar nem trazer votos. Às vezes, apostar nas transformações dá certo. Foi pragmatismo, não idealismo, que levou parte da Arena a romper com o regime militar e apoiar Tancredo Neves no colégio eleitoral, pondo fim à ditadura. Foi pragmatismo, não idealismo, que levou o PFL de Luíz Eduardo Magalhães a apoiar FHC e o Plano Real, para acabar com a hiperinflação, criar uma moeda nacional estável e confiável e iniciar a implantação de uma economia de mercado de verdade.
O fim da ditadura militar e a estabilidade da moeda foram conquistas políticas, vencidas por forças movidas por visão de futuro e pragmatismo, não por desprendimento ou altruísmo. Houve, no entanto, visionários, verdadeiros apóstolos da democracia e da estabilidade macroeconômica, que souberam mostrar o caminho do interesse comum do Brasil ao pragmatismo predominante, cético e ainda disperso.
O artigo do Bruno Carazzo adverte às elites que escolham melhor seus políticos e melhorem a qualidade dos nossos legislativos. Por pragmatismo. Para livrar o país das péssimas decisões que os políticos horríveis tendem a tomar. Não é preciso ser idealista, ou altruísta para praticar qualidade na política. Aliás, não se deve. Foi miopia política e oportunismo rasteiro que levaram o PT a não apoiar Tancredo Neves no colégio eleitoral e Fernando Henrique Cardoso com o Plano Real. Pragmatismo com qualidade promove transformações históricas, como o fim da ditadura e a estabilidade macroeconômica. Pragmatismo míope, focado apenas na eleição seguinte e na ocupação de espaços de poder, pode até ganhar eleições, mas não faz história.
Pretendo disputar as eleições de 2026 para deputado estadual pelo PSDB. O debate nacional está prisioneiro do populismo radicalizado que fragilizou a credibilidade das instituições da democracia e roubou a esperança no futuro. Quero me dedicar a soluções regionais para o funcionamento das politicas públicas, inovações institucionais que possam ser desenhadas e implantadas regionalmente, longe da radicalização emburrecedora que se alimenta de indignação e só gera mais raiva, paralisia e conformismo.
O papel mais nobre da Assembleia Legislativa Estadual é a governança e a pactuação qualificada no desenho e na implementação de politicas públicas locais com regionalização do desenvolvimento sustentável.
Acho que meu velho slogan “É tempo de qualidade na política” ainda está muito atual depois de 32 anos.









