Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.
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O protocolo caos

José Rodrigues dos Santos é um escritor moçambicano, jornalista e professor universitário, autor premiado de romances históricos. Seus livros misturam ciência, história, mistério e conspirações. Seu último livro, que se chama O Protocolo Caos, é um romance político sobre manipulação das redes sociais como estratégiaprincipal da luta pelo poder em escala planetária. Evidentemente, Donald Trump e Vladimir Putin são os grandes vilões. A obra é protagonizada por personagens fictícios inspirados em figurinos arquetípicos como o agente do serviço secreto russo Dimitri Chernyshev, especializado em “rackear” redes sociais ocidentais para semear ódio e desinformação. Além de fraudar eleições, claro.

No último capítulo do livro, o autor despede-se do papel de escritor ficcionista e fala aos leitores como militante da causa democrática e liberal com inteligência e paixão. Depois da novela cheia de suspense, que encanta e prende o leitor até o fim, Rodrigues dos Santos parecia ainda não estar satisfeito com a força da mensagem de alerta e defesa da liberdade e da democracia que permeia todo seu romance e é feita principalmente através do personagem Tomás Noronha, professor e historiador português, herói do livro e alter ego do autor. Ele precisava dirigir-se diretamente aos seus leitores com um grito de denúncia aflita sobre os perigos das Big Techs, das redes sociais e seus algoritmos. Seu texto de encerramento é forte, posicionado claramente e sem preocupação alguma em parecer isento.

O tema do romance já vem sendo tratado pela literatura de não ficção há alguns anos e a extensa pesquisa feita por Rodrigues dos Santos em obras acadêmicas e jornalísticas encontra-se cuidadosamente referenciada em seu livro. Destaco os economistas norte-americanos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt que alertaram sobre a nova luta pelo poder em “Como as democracias morrem”, e o ensaísta italiano Giuliano da Empoli em seus trabalhos “Os engenheiros do Caos”, “O Mago do Kremlin” e “A Hora dos Predadores” que mostram como líderes políticos e bilionários da tecnologia estão moldando um novo tipo de poder mundial. O grande mérito do escritor moçambicano foi colocar num romance de suspense de leitura fácil toda essa nova realidade política.

Em ano eleitoral no Brasil, estamos lidando com esse novo mundo da comunicação e da construção de força política por meio das redes sociais. Os influenciadores digitais são os novos líderes e seu desempenho nas pesquisas de opinião molda e orienta candidaturas e projetos eleitorais. As “fake news”, turbinadas pelas tecnologias de inteligência artificial, são o novo normal de armamento virtual usado pelos atores combatentes na luta política. O estado de direito democrático e suas instituições políticas e jurídicas não são capazes de disciplinar o ambiente violento da polarização ideológica. O apelo à força bruta, incluindo atos terroristas, ameaças físicas, golpes e guerras, volta à cena como num videogame real.

Em seu capitulo final em forma de manifesto, Rodrigues dos Santos afirma: ”As redes sociais manipuladas pela Rússia e pelos seus cavalos de Troia no Ocidente, desempenham um papel central nas atuais convulsões das democracias liberais. São elas que estão a fomentar violência interétnica e interreligiosa em múltiplos países, da Índia ao Sri Lanka, do México ao Brasil, da Alemanha à Turquia. O caso de Myanmar é o exemplo mais extremo.”

O negacionismo cientifico também floresce nesta floresta de mentiras que sufoca a verdade e o progresso humano.

A missão Artemis II foi lançada em 1º de abril de 2026 em direção a Lua com 4 astronautas, sendo uma mulher, um negro e um canadense. Vai durar cerca de dez dias e vai dar uma volta ao redor do satélite sem pousar, fazer testes com os sistemas da nave Orion spacecraft e retornar. O mundo acompanha pela internet em tempo real a missão através das imagens emitidas pela NASA desde o lançamento.

O instituto Datafolha realizou uma pesquisa recente entrevistando cerca de 2000 pessoas em mais de 100 cidades do Brasil. A pesquisa constatou que 33% dos brasileiros não acreditam que o homem foi à lua, apesar das evidências científicas, apesar do testemunho dos 380 Kg de rochas trazidas na missão, dos espelhos especiais e módulos deixados na Lua que refletem sinais até hoje, do testemunho de mais de 400 mil pessoas que trabalharam nos programas espaciais da NASA. Em 16 de julho de 1969 o mundo todo acompanhou pela televisão Neil Armstrong e Buzz Aldrin os dois tripulantes da Apolo 11 que desceram na Lua e ficaram cerca de duas horas e meia em seu histórico passeio lunar. Um em cada três brasileiros acha que isto não aconteceu. Foi uma farsa, uma fake news.

Participar das eleições, escolher candidatos, fazer campanha e votar é o caminho que só existe nas sociedades democráticas. Não podemos subestimar a capacidade do voto popular provocar e empreender transformações. Foi uma conquista árdua da minha geração.

Existem bons candidatos. Vamos saber reconhecê-los e fazê-los ganhar.

Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas
Luiz Paulo Vellozo Lucas - engenheiro de produção pela UFRJ com cursos de pós graduação em finanças (Arthur Andersen), desenvolvimento econômico(BNDES) e economia industrial (IE-UFRJ), mestrado em Engenharia e Desenvolvimento Sustentável pela UFES. Foi funcionário de carreira concursado do BNDES onde ingressou em 1980, aposentando-se em agosto de 2016. Foi prefeito de Vitória por dois mandatos consecutivos (1997-2000 e 2000-2004), deputado federal pelo Espírito Santo e foi diretor Presidente do BANDES, Banco de Desenvolvimento do Espirito Santo entre 2015 e 2016 e do IJSN-Instituto Jones dos Santos Neves entre 2019 e 2020. Luiz Paulo escreve quinzenalmente, sempre às sextas-feiras.

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