Depois de dez anos em funcionamento, o restaurante Di Marino foi fechado pelas autoridades federais que regulam as atividades comerciais no espelho d`agua da baia de Vitória, lideradas pela Secretaria do Patrimônio da União- SPU. Ficava localizado num flutuante ancorado na prainha da Glória, em frente do morro de Jaburuna. Lanchas, jet skis e embarcações em geral podiam atracar em seus ancoradouros flutuantes e frequentar o charmoso estabelecimento.
Além da belíssima paisagem, do charme náutico, da musica ao vivo de qualidade e da gastronomia de alto nível o Di Marino era um exemplo de uso econômico sustentável do patrimônio ambiental da Grande Vitória. As obras de revitalização da orla de Porto de Santana em Cariacica, a reurbanização da Prainha de Vila Velha e da orla da Ilha das Caieiras mostram que estamos, aos poucos, despertando e nos apropriando do extraordinário patrimônio dos nossos “waterfronts” e nos voltando para o mar. Apesar dos órgãos federais.
O uso econômico mais óbvio da Baia de Vitória é o porto. A chegada da operadora privada VPorts substituindo a CODESA, uma estatal federal, teve como consequência maior um brutal choque de gestão com impacto tanto nos resultados produtivos da operação portuária, quanto na relação de parceria com a comunidade e com os governos locais. A restauração dos antigos armazéns e sua utilização em atividades comerciais culturais e turísticas será fundamental para a revitalização do centro histórico da capital.
Dar a volta na Baia de Vitória por mar e ver as praias, as ilhas, os manguezais, as orlas e a ocupação urbana da região metropolitana, na baixada e nos morros é uma experiência obrigatória para todos que pensam no futuro da economia capixaba, principalmente depois que vier a plena vigência da reforma tributaria. O aproveitamento econômico sustentável dos ativos ambientais, históricos e culturais do nosso pequeno e rico Espirito Santo é o único caminho.
Toda e qualquer atividade econômica possui relação com o interesse publico e é impossível desenvolve-las sem regras bem definidas que delimitem claramente as possibilidades e os limites das iniciativas empresariais. Particularmente o mercado imobiliário e as atividades de serviços vinculadas e com alto impacto no desenvolvimento e na valorização territorial precisam mais que tudo de segurança jurídica e coordenação entre as autoridades reguladoras.
As multas e as ameaças da SPU no Iate Clube, na Curva da Jurema e agora o fechamento do Di Marino deveriam nos fazer despertar para a necessidade de reformas profundas na regulamentação sobre uso e ocupação do solo urbano na Região Metropolitana. Aproveitamentos comerciais inadequados e eventualmente predatórios de ativos ambientais precisam ser proibidos legalmente e impedidos de funcionar e essa tarefa não pode ser dos órgãos federais. O poder local, estado e municípios precisa ser capaz de faze-lo, com bom senso e dialogo com as forças de mercado pois além de proteger é preciso também não deixar o patrimônio natural ficar entregue ao abandono.
Acho que deveríamos instalar uma Câmara Setorial da Baía de Vitória para pactuar procedimentos e exigências regulatórias e promover o diálogo transparente e qualificado sobre o aproveitamento econômico do seu potencial assim como seus limites e restrições.








